O Expresso publicou recentemente, na sua edição online, um artigo particularmente relevante sobre segurança rodoviária, estabelecendo um contraste claro entre a preocupante realidade portuguesa e os resultados alcançados por países como a Finlândia e a Suécia.
Em 2024, Portugal registou 58 vítimas mortais por milhão de habitantes, um dos piores indicadores da União Europeia (UE). Em sentido oposto, Helsínquia, capital da Finlândia, atingiu um marco que muitos ainda consideram utópico: zero mortes de peões e ciclistas durante um período de 12 meses.
Por seu turno, a Suécia apresenta o valor mais baixo de mortes em acidentes de viação por milhão de habitantes na UE. Este desempenho está fortemente associado à implementação da iniciativa Visão Zero, uma abordagem estratégica que parte de um princípio simples mas exigente: nenhuma morte na estrada é aceitável. Em Portugal, a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária enquadra esta filosofia no conceito de Sistema Seguro, assente em quatro pilares essenciais: infraestruturas concebidas para prevenir o erro, velocidades adequadas ao contexto, veículos tecnologicamente mais seguros e comportamentos responsáveis por parte dos condutores.
Importa sublinhar que a Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária 2030 aguarda aprovação há cinco anos. Sem uma visão integrada, metas devidamente estabelecidas e mecanismos claros de responsabilização, continuaremos a acumular diagnósticos e intenções, mas não resultados.
A sinistralidade rodoviária representa cerca de 3% do PIB. Porém, o verdadeiro impacto mede-se em vidas perdidas, famílias destruídas e potencial humano desperdiçado. Está na altura de deixar de normalizar o inaceitável e de assumir, com determinação, que cada morte evitável é uma responsabilidade coletiva.
Sousa dos Santos

Discussão
Ainda sem comentários.