Luís Neves tomou recentemente posse como Ministro da Administração Interna(MAI). Importa recordar que, ao longo das últimas décadas, poucos titulares desta pasta conseguiram cumprir integralmente uma legislatura. O último a fazê-lo foi Dias Loureiro, entre 1991 e 1995.
A dimensão e complexidade da missão e atribuições do Ministério que incluem a formulação, coordenação, execução e avaliação das políticas de segurança interna, controlo de fronteiras, proteção e socorro, segurança rodoviária e administração eleitoral, ajudam a explicar por que razão, nas últimas duas décadas e meia, esta tem sido a área governativa com maior número de demissões. Um percurso marcado por crises sucessivas e polémicas recorrentes, revelador da pressão constante e da instabilidade estrutural que caracterizam esta tutela.
De acordo com um artigo publicado no Jornal Sol, a nomeação de Luís Neves está a gerar clara turbulência, sobretudo entre algumas figuras ligadas às Forças de Segurança. O ex-diretor nacional adjunto da Polícia de Segurança Pública (PSP), José Bastos Leitão, expressa as suas reservas em sete pontos, tornando públicas as suas dúvidas quanto à escolha.
Segundo a TSF, Fernando Negrão referiu que o Primeiro-Ministro “teima em escolhas esdrúxulas para uma área vital e especialmente complexa para o país: o MAI”. Por sua vez, Bruno Pereira, presidente do SNOP/PSP, numa entrevista recente ao mesmo jornal, afirmou que se deve ter muito cuidado nestas nomeações.
Entre apoiantes convictos e críticos que questionam a sua isenção, o debate promete intensificar-se e marcar a agenda política das próximas semanas. Quando uma liderança provoca um impacto desta magnitude, é a estabilidade institucional que se transforma no verdadeiro teste. Assim, o sucesso desta nova liderança não dependerá em larga escala deste burburinho inicial, mas antes e acima de tudo, da capacidade de gerar confiança, coesão e resultados concretos.
Manuel Gomes

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