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Segurança

Insegurança escolar

Um caso recentemente ocorrido numa escola da Sertã vem, mais uma vez, expor um problema que já não pode ser ignorado: a violência em contexto escolar. Torna-se ainda mais alarmante quando envolve crianças com apenas 8 anos, responsáveis por agressões a três professoras.

Estamos perante um sinal claro de falhas a montante, no acompanhamento emocional, no contexto familiar, no suporte educativo e, sobretudo, na articulação entre todos os sistemas que deveriam intervir de forma preventiva.

Como refere Alberto Veronesi, “a indisciplina nas escolas portuguesas tornou-se efetivamente um problema estrutural que compromete o ambiente de aprendizagem e o bem-estar de alunos e professores. E enquanto continuarmos a tratá-los como casos pontuais, estaremos apenas a adiar o inevitável”.

A escola não pode, nem deve, enfrentar estas situações isoladamente. Professores e pessoal não docente não podem ser deixados sozinhos a lidar com realidades que refletem, muitas vezes, fragilidades sociais mais amplas. É fundamental sinalizar, intervir e agir de forma consistente e com caráter de urgência.

Se não forem devidamente enfrentadas, estas situações alimentam uma perceção de impunidade desde cedo, abrindo caminho para trajetórias de maior risco, que podem desembocar na delinquência e no contato com o sistema judicial. Intervir precocemente não é apenas desejável, é indispensável.

Proteger quem ensina e garantir um ambiente seguro para todos os alunos constitui uma prioridade inequívoca. Tal como sublinha Veronesi, a desvalorização de princípios como a disciplina, o esforço e a responsabilidade individual tem consequências visíveis.

Os sinais estão à vista. E, não podem ser ignorados, enfiando a “cabeça na areia” à espera que a tormenta passe.

L.M.Cabeço

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