A Corporación Científica Internacional de Dactiloscopia (CCIDD) lançou o n.º 7 da revista eletrónica “Minucias”, da qual faz parte um extenso artigo sobre o “11-M”, o ataque à bomba atribuído à Al-Qaeda na rede ferroviária madrilena (Madrid-Espanha), ocorrido a 11 março de 2004 e de onde resultaram 191 mortos e cerca de 1700 feridos.
O artigo trata da polémica em torno da identificação de um dos envolvidos através dos vestígios lofoscópicos recolhidos na cena do crime. Num primeiro momento, terá sido identificado Brandon Bieri Mayfield, residente em Portland, no Oregon – Estados Unidos da América, o qual alegava que nunca tinha saído desse país.
Este cidadão norte-americano, suspeito de ligações àquela organização terrorista, foi identificado pelo FBI, na sequência de um pedido enviado pelo Corpo Nacional de Polícia de Espanha (CNP), através da Interpol, tendo-se a agência norte-americana socorrido de um vestígio incompleto e de difícil de comparação. Para o efeito utilizou um sistema informático inovador, graças ao qual através de um fragmento de vestígio lofoscópico se poderia chegar à sua totalidade.
Contudo, como Brandon Bieri Mayfield nunca tinha saído dos EUA, como era possível que os vestígios lofoscópicos encontrados em Madrid tivessem sido produzidos por este cidadão norte-americano? Daí que o caso começasse a levantar algumas suspeitas, e por isso, o CNP reuniu os seus maiores especialistas nesta área, tendo-se concluído que se tratava do argelino Ouhnane Daoud, e ao mesmo tempo ilibado Brandon Mayfield.
Este caso vem-nos chamar a atenção para erros passíveis de acontecer em situações deste género, tanto no que diz respeito a identificações de suspeitos através de vestígios recolhidos na cena do crime, bem como do estabelecimento de ligações a esses suspeitos através de instrumentos e das respetivas marcas.
Neste contexto, a Elsevier, lançou recentemente uma obra da autoria de Brent E. Turvey, Forensic Fraud, onde se versa sobre a dinâmica que rodeia o exame do local do crime, a perícia e a utilização de métodos e técnicas inadequados, suscetíveis de gerar resultados deturpados e que em tribunal poderão contribuir para identificar, condenar ou absolver arguidos de forma errónea, como aconteceu no caso acima relatado.
Por isso, uma obra que merece uma leitura atenta para quem trabalha na área da Segurança e das Ciências Forenses.
Gomes Lopes
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