Os vestígios lofoscópicos latentes resultam da transferência de substâncias segregadas pelas glândulas sudoríparas e sebáceas que existem na derme humana, para a superfície de contato. Em regra, são invisíveis a olho nu, pelo que se torna necessário o recurso a processos físicos ou químicos, onde se incluem os reagentes (líquidos, gasosos ou sólidos).
Para se revelar alguns tipos de vestígios lofoscópicos recorre-se ao cianoacrilato, utilizando equipamentos
adequados (câmaras de fumigação). Para o efeito, os vestígios são expostos nessas câmaras a uma humidade (entre 70% e 80%) para os reavivar, entretanto o cianoacrilato aquece até à temperatura de 130 ºC tornando-se gasoso. Os vapores daí resultantes depositam-se sobre as cristas papilares, devido à ação da humidade residual existente (superior à da restante superfície) tornando os vestígios visíveis, suscitáveis de serem fotografados para que numa fase posterior se aplique o protocolo ACAV.
Contudo, esta técnica apresenta algumas fragilidades, nomeadamente no caso de estarmos a tratar superfícies claras por causa do contraste, ou quando a humidade residual do vestígio é bastante reduzida.
Para se tentar ultrapassar estas contingências pode-se lançar mão de um segundo tratamento que fluoresce o vestígio. Devido às qualidades intrínsecas dos produtos utilizados tem que se recorrer a equipamentos munidos de exaustores, o que torna a operação demasiado onerosa e demorada, podendo ainda ficar comprometidas eventuais recolhas de amostras de ADN.
A fim de contornar estes obstáculos, foi desenvolvido e apresentado recentemente um novo reagente, o qual resultou da colaboração entre o “Laboratoire de Photophysique et Photochimie Supramoléculaire et Macromoléculaire (CNRS/ENS Cachan)” a firma francesa “Crime Scene Technology” , denominado Lumicyano, tendo-se combinado o cianoacrilato com uma molécula da família tetrazina.
Assim, em vez de duas operações (câmaras de fumigação e fluorescimento do vestígio) bastará recorrer ao cianoacrilato mediante a técnica acima exposta e no final utilizar uma lâmpada UV ou técnicas de iluminação forenses, ficando os traços fluorescentes visíveis e suscetíveis de serem fotografados.
O Lumicyano apresenta como vantagens um excelente desempenho de deteção, redução de custos, tempo e riscos, não destruindo o ADN que pode, por vezes, ser extraído de impressões digitais.
Este produto foi testado com sucesso e validado, e não apenas pela Police Nationale e pela Gendarmerie Nationale (França), mas também, entre outras polícias pela Scotland Yard e pelo FBI, sendo apresentado de 19 a 22 de Novembro, na exposição “Worldwide Internal State Security Exhibition (Milipol, Paris 2013)”.
Pedro Murta Crasto
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