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Segurança

Tráfico de seres humanos – Relatório UNODC

São uma constante as notícias sobre o tráfico de seres humanos. Um dos métodos mais recentes consiste em comprar navios cargueiros em fim de vida, atulhá-los de seres humanos que previamente pagam uma quantia astronómica, tendo em conta os padrões de vida das zonas de onde são originários, e depois abandoná-los à sua sorte no alto-mar.

UNODCTrata-se de um método bárbaro, diferente das tentativas de transposição da vedação de Melilla ou das pequenas embarcações que tentam atravessar o Mediterrâneo, mas ainda mais revelador do único ânimo que move as organizações criminosas: a ânsia do lucro. Não interessando que esse lucro ponha em causa a vida, a integridade física e outros bens juridicamente protegidos dos passageiros da embarcação, de outras embarcações ou de quem fica encarregue do seu resgate.

Neste contexto, foi agora publicado o GLOBAL REPORT ON TRAFFICKING IN PERSONS pelo UNODC, bastando ler a introdução para se ficar com uma ideia da dimensão do problema. Segundo este documento entre 2010 e 2012, foram detetadas vítimas de 152 nacionalidades diferentes em 124 países, tratando-se de uma realidade com dimensões nacionais, regionais e internacionais, tendo sido identificados 510 fluxos, os quais apresentam como denominador comum a deslocação das zonas mais pobres para as mais ricas e de menor conflitualidade.

Tal como noutros domínios de atividade do crime organizado, o problema tem que ser atacado na sua génese, prevenindo-o, evitando que todos os anos milhares e milhares de vítimas caiam nas garras das organizações criminosas, sendo depois abandonadas à sua sorte, da qual resultam, não raras vezes, desfechos fatais.

Essa prevenção faz-se nos locais de origem, em primeiro lugar desfazendo as ideias associadas aos mitos dos eldorados, segundo as quais nos países ricos jorra ouro, e toda a parafernália de consumíveis apetecíveis em cada local onde exista uma torneira. Em segundo, encontrar forma de os países de origem das vítimas entrarem num rumo de desenvolvimento sustentável que permita aos seus cidadãos terem um nível de vida aceitável para que não constituam um alvo do crime organizado.

Sabemos que devido a vários fatores, a implementação destas vias não é fácil, mas também estamos perfeitamente conscientes da catástrofe que certamente advirá da sua não implementação.

Manuel Ferreira dos Santos

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