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forças de segurança, Segurança

Comparar o incomparável

Desconfiava que mais cedo ou mais tarde o novo ministro da Administração Interna ia cair na tentação de comparar o incomparável para justificar o injustificável. Vem isto a propósito das declarações por siFSeg proferidas onde compara a realidade portuguesa com a finlandesa em termos de número de polícias por 100.000 habitantes

Desde logo, a realidade portuguesa é incomparável à finlandesa em número de habitantes, no tipo de povoamento, na exposição a determinados fatores potenciadores de insegurança, no “modus vivendi”, na idiossincrasia. 

Ora, isto implica que o nosso modelo de organização policial também seja diferente, similar ao dos países do sul da Europa, embora com alguns ajustamentos. E, por muito que isso custe, tem sido esse modelo que tem contribuído que ano após ano tenhamos vindo a ocupar lugares cimeiros em termos de segurança, fator essencial para o desenvolvimento económico. Convém frisar que no Global Peace Index 2022, Portugal ocupa a 6.ª posição e a Finlândia a 14.ª. Contudo, em 2019 estávamos em 2.º lugar.

Não vale a pena andar a tapar o sol com uma peneira, neste momento, em Portugal faltam recursos humanos nas Forças de Segurança. Esta fragilidade poderia ser contrabalançada com o investimento em tecnologia. Mas tanto para uma vertente como para a outra falta capacidade de investimento. Um relatório da IGAI aponta para “celas sem condições mínimas de detenção, carros-patrulha altamente desgastados e computadores obsoletos” e “falta de efectivos policiais”

Fruto disso, começam a surgir territórios que parecem estar à margem da lei, do tipo “oeste selvagem”. Um caso recentemente relatado no Expresso, sobre um grupo de traficantes que instalou uma porta blindada num prédio, tendo os habitantes de pedir autorização para entrar ou sair, é simplesmente aterrador e transporta-nos para alguns locais bem conhecidos (pelos piores motivos) da América do Sul.

Por isso, senhor ministro da Administração Interna empenhe-se em solucionar os problemas das Forças de Segurança, dotando-as dos recursos humanos e materiais (onde se incluem as novas tecnologias) para que as mesmas possam cumprir a sua missão e as respetivas atribuições. Além disso, como já é sobejamente conhecido, para conseguir atrair quadros de base para as Forças de Segurança terá de resolver, de uma vez por todas, a questão do vencimento cada vez mais próximo do ordenado mínimo. Aliás, quando referiu o número de polícias por 100.000 habitantes da Finlândia também podia ter mencionado o vencimento de um polícia finlandês e o de um português. Assim, ficávamos melhor esclarecidos. 

Sousa dos Santos

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