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forças de segurança, GNR, Segurança

GNR – retrato

No dia em que a ministra da Administração Interna, com pompa e circunstância, visita o Comando Geral da Guarda Nacional Republicana, foi publicada uma notícia no Expresso que traça um retrato operacional pouco abonatório para esta Força de Segurança de natureza militar. Nesse artigo, menciona-se a falta de meios humanos e materiais, aludindo-se ao registo de atos administrativos como sendo operacionais, ou seja “números que não correspondem a ocorrências ou operações registadas no exterior”. A ser verdade, a velha técnica de “tapar o sol com uma peneira”

A escassez de recursos humanos decorre da falta de atratividade da carreira policial, tanto na GNR como na PSP. No caso da GNR, como todos os anos vão transitando militares para a situação de reserva e de reforma, se o número de entradas nas fileiras não for cobrindo as saídas instala-se um défice no efetivo com as consequências de todos conhecidas. 

Relativamente aos meios materiais e instalações, apesar da propaganda oficial apontar em sentido contrário, não se tem feito o investimento necessário, sendo uma questão que se vem arrastando ao longo do tempo e que de quando em vez aparece na imprensa, provocando algum burburinho. Ao que se segue um anúncio de alguns milhões, agitando-se a bandeira da lei de programação de infraestruturas e equipamentos das forças de segurança e serviços do Ministério da Administração Interna. E, passados uns tempos, constata-se que tudo está na mesma. Uma notícia dando conta que o Destacamento de Trânsito de Coimbra apenas tinha uma viatura para cobrir a respetiva zona de ação é assustadora.

Perante este quadro, pode chegar o dia em que o efetivo não consegue cumprir cabalmente a missão e as atribuições desta Força de Segurança, não satisfazendo as necessidades de segurança dos cidadãos. Para evitar este tipo “retratos”, não resta outra alternativa que não seja tornar a carreira policial mais atrativa (v.g. vencimentos, progressão na carreira, mobilidade entre categorias, prestígio) e efetuar um investimento permanente em meios materiais e instalações, jogando na antecipação mercê de um criterioso levantamento das necessidades.

J.M.Ferreira

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