1.Num artigo recente, publicado no Jornal Económico, Jorge Silva Carvalho destaca algo que muitos especialistas do setor da defesa já sabiam, mas que agora ganha maior visibilidade: a
guerra moderna está a ser profundamente transformada pela adoção de sistemas não tripulados e pelo recurso a novos sistemas de gestão do campo de batalha.
No exercício Hedgehog 2025, operadores ucranianos com drones demonstraram que, em menos de um dia, se pode neutralizar forças convencionais muito maiores. Provou-se que as doutrinas e as capacidades tradicionais da NATO precisam de se adaptar urgentemente. Uma chamada de atenção para repensar estratégias, acelerar a modernização e reforçar a integração de tecnologias disruptivas nos nossos modelos de defesa coletiva.
2.Neste contexto, não poderíamos deixar de destacar a iniciativa dos países do grupo E5 (Alemanha, França, Itália, Polónia e Reino Unido)[1] para desenvolver drones autónomos de baixo custo, inspirados na experiência ucraniana, o que marca uma mudança relevante na lógica da defesa europeia.
A guerra na Ucrânia demonstrou que a vantagem já não depende apenas de plataformas sofisticadas e dispendiosas, mas também de escala, adaptabilidade e inovação rápida. Sistemas acessíveis, produzidos em volume e tecnologicamente ágeis, podem alterar o equilíbrio no terreno.
Esta aposta sinaliza três tendências claras: integração industrial europeia, aceleração tecnológica e foco em soluções pragmáticas[2]. A defesa europeia está a entrar numa nova fase: mais digital, mais descentralizada e mais orientada para eficiência operacional.
3.Os prejuízos das tempestades podem atingir os seis mil milhões de euros, um montante impressionante e ao mesmo tempo um sinal claro da vulnerabilidade estrutural do nosso território.
O impacto vai muito além dos danos imediatos: pressiona as finanças públicas, o setor segurador, as infraestruturas críticas e a confiança económica. Mas, além de reconstruir, é fundamental investir em preparação, prevenção, planeamento urbano inteligente e adaptação aos “novos tempos”.
A questão já não é se estes eventos extremos vão repetir-se, mas sim se estaremos melhor preparados quando acontecerem novamente. Resiliência deixou de ser um mero conceito técnico, passou a ser uma prioridade estratégica para o país.
Não nos restam dúvidas que preparar o futuro deixou de ser uma opção política; tornou-se uma condição de soberania e de sustentabilidade nacional.
Manuel Ferreira dos Santos
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[1] – Um fórum informal de Defesa que reúne as cinco maiores potências militares e de defesa europeias.
[2] Sobre esta matéria, aconselhamos a leitura de um artigo de opinião da autoria de Luís Valença Pinto: Um roteiro para uma Economia de Defesa Europeia.

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