Os dados mais recentes sobre a sinistralidade rodoviária em Portugal revelam um cenário preocupante. No Porto, uma violenta colisão entre duas motas e um automóvel provocou dois feridos graves. Em Albergaria-a-Velha, um despiste causou uma vítima mortal. Na Madeira, um acidente de moto resultou em duas mortes. A estes casos soma-se um episódio particularmente chocante: um condutor terá simulado um despiste para tentar ocultar um atropelamento mortal.

São ocorrências distintas, mas revelam um padrão comum:
- A persistência de comportamentos de risco e
- A fragilidade da segurança rodoviária em Portugal.
Os números da Polícia de Segurança Pública (PSP) ajudam a compreender a dimensão do problema. Entre janeiro e abril, mais de três mil condutores foram detetados com excesso de álcool no sangue. Trata-se de uma média superior a 25 infrações por dia, num dos fatores de risco mais associados aos acidentes graves e fatais. Importa recordar que estes números dizem respeito apenas à PSP. Quando forem contabilizados os dados da Guarda Nacional Republicana (GNR), a dimensão real do problema revelar-se-á certamente mais expressiva.
Apesar dos progressos alcançados nas últimas décadas, a sinistralidade rodoviária continua longe de estar controlada. A fiscalização é indispensável, mas não suficiente. O verdadeiro desafio permanece cultural: combater a tolerância social ao álcool ao volante, à velocidade excessiva e à condução imprudente.
Cada vida perdida na estrada é uma tragédia humana que interpela a responsabilidade de todos.
Os acontecimentos recentes recordam que a segurança rodoviária não depende apenas das infraestruturas ou da tecnologia dos veículos. Depende, sobretudo, das escolhas feitas por quem conduz. E essas continuam a custar vidas.
Sousa dos Santos

Discussão
Ainda sem comentários.