Anúncios
está a ler...
Catástrofes, Segurança

Incêndios – Equipamento de proteção individual

I

EPIUma das questões levantadas pelo Relatório sobre Incêndios 2013 é a do equipamento de proteção individual, recomendando-se a este propósito que se deve cuidar o equipamento dos Bombeiros, não se poupando no seu preço, na sua qualidade ou na exigência das suas especificações.

Há algum tempo atrás ficámos a saber que tinha sido lançado um concurso público orçado em mais de 7 milhões de euros para aquisição de equipamentos de proteção individual (EPI), a distribuir até final do ano.

A preocupação em torno da questão do EPI adequado também transparece da Resolução da Assembleia da República n.º 51/2014, onde se recomenda ao Governo a adoção de medidas com vista a assegurar maior eficácia no âmbito da prevenção e combate aos fogos florestais, nomeadamente “garantir que o caderno de encargos para a aquisição dos equipamentos de proteção individual (EPI) seja o mesmo para a compra e para a entrega aos corpos de bombeiros, criando uma central de compras, e prever, no modelo para a aquisição dos EPI e de outros equipamentos ou meios, um levantamento prévio da capacidade financeira dos corpos de bombeiros, assim como uma relação das necessidades e adequação dos meios em função da cartografia de risco”.

II

Desta forma, existia a ténue esperança que os Bombeiros recebessem um EPI adequado ao combate de incêndios florestais ainda durante a presente época. Ao que parece tal não irá acontecer, pois segundo Jaime Marta Soares “por distração, negligência ou erro grosseiro e grave, o equipamento continua por entregar, sendo de referir que o Ministério da Administração Interna delegou nas Comunidades Intermunicipais a competência de lançar os concursos para a aquisição do material. Pelo que será publicado dentro em breve um despacho do MAI, a autorizar que os bombeiros atuem nos teatros de operações com fardas não homologadas.

Tudo sito se deverá a um emaranhado de teias burocráticas, pelo que salvo algumas exceções teremos os Bombeiros a combater os incêndios sem que estejam munidos deste instrumento fundamental para salvaguardar a sua vida e a sua integridade física.

III

Celebra-se o centenário do início da I Guerra Mundial, onde os portugueses também participaram tendo sido projetados para as frentes de combate africanas (Angola e Moçambique) e europeia (Flandres).

Quem esteja a ler estas linhas interrogar-se-á sobre o motivo da chamada à colação deste tema e da sua relação com a falta de EPI apropriado para intervir no combate de incêndios florestais por parte da maior parte dos Bombeiros portugueses.

É muito simples. Também os militares lusos foram enviados sem que houvesse qualquer preocupação com o seu equipamento/fardamento (adversidades climáticas de África e da Flandres e doenças despoletadas pelo clima e pelo conflito), tendo alguns militares do Corpo Expedicionário Português (CEP) apelidado este corpo de “Carneiros de Exportação Portuguesa”, em virtude da falta de preparação técnica e ausência de equipamento militar adequado a essa guerra moderna.

IV

É assim possível estabelecer um paralelismo com um século de distância entre uma situação e a outra: a falta de equipamento adequado que permita diminuir as consequências negativas nos intervenientes.

Parece que se continua a acreditar que tudo se resolve com a capacidade de improviso, com a boa vontade dos intervenientes, resultando daí por vezes uma amálgama de heróis aos quais são atribuídas medalhas em paradas públicas ao som de música marcial e com direito a uns efémeros segundos de glória televisiva, nalguns casos a título póstumo, noutros ainda em vida. Isto não obstante as medidas que tem vindo a ser tomadas no que concerne ao seguro de acidentes pessoais dos bombeiros e ao regime excecional de dispensa de serviço público dos trabalhadores da administração direta e indireta do Estado, incluindo da administração autónoma, que cumulativamente detenham a qualidade de bombeiro voluntário, quando sejam chamados pelo respetivo corpo de bombeiros para combater um incêndio florestal.

De uma vez por todas temos que além de fazer, saber fazer e saber fazer bem de acordo com as melhores práticas, pondo sempre no topo das preocupações a vida e a integridade física daqueles que lutam denodadamente em prol da segurança dos restantes membros da sociedade, não podendo as teias burocráticas criar entraves à defesa destes bens jurídicos cimeiros.

Manuel Ferreira dos Santos
Anúncios

Discussão

Ainda sem comentários.

Deixe uma Resposta

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Anúncios

WOOK

%d bloggers like this: