Apesar de já terem passado quase dois anos, a época de incêndios de 2017 continua a gerar controvérsia, por dois motivos.
O primeiro, de acordo com um relatório da Inspeção-geral da Administração Interna (IGAI) está relacionado com o suposto desvio de meios no incêndio de julho desse ano em Mação, “desentendimentos entre comandantes distritais com interferência do então comandante nacional da ANPC, Rui Esteves, e desrespeito pelas regras que potenciaram a gravidade do fogo”.
O segundo, prende-se com a disparidade detetada, também pela (IGAI), entre o “número de refeições apresentadas para pagamento à Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) pelos bombeiros e o número de operacionais que efetivamente estavam no terreno durante os incêndios de Mação de 2017”[1]. Aliás, a este propósito, também constou que terá sido fornecida aos bombeiros que atuaram nos teatros de operações nesse ano comida que em quantidade e qualidade não corresponderia ao expectável, aparecendo fotografias com esparguete e salsichas, bem como de outras “iguarias” de idêntico quilate.
Em face destes e de outros indicadores, a mudança no rumo da Proteção Civil era inevitável. Para mudar é necessário aprender com os erros detetados e que constam de diversos relatórios, depois de uma reflexão amadurecida ir para além das alterações meramente formais e dar passos firmes no sentido de um sistema estruturado e ágil que permita dar respostas prontas e eficazes, e, de uma vez por todas, ter coragem para responsabilizar quem deve ser responsabilizado.
Sousa dos Santos
___________________________________
[1] Jaime Marta Soares, presidente da Liga de Bombeiros Portugueses (LBP), recusa que haja fraude na atribuição de pagamentos por refeições de bombeiros, não havendo irregularidades nesses pagamentos.

Discussão
Ainda sem comentários.