O conceito de segurança rodoviária abrange o conjunto de políticas, práticas, infraestruturas e comportamentos destinados a reduzir o risco de acidentes e a minimizar as suas consequências para todos os utilizadores da via. 
A sinistralidade rodoviária é um grave problema de segurança em Portugal, com impactos profundos ao nível humano, social e económico. Apesar dos progressos alcançados nas últimas décadas, os números mais recentes demonstram que as estradas permanecem um espaço de risco, exigindo respostas estruturais e consistentes.
No passado fim de semana, em apenas seis horas, cinco pessoas com menos de 31 anos perderam a vida em acidentes de viação em Pombal, Cadaval, Montijo e Lisboa [1]. Apenas uma seguia sozinha no carro, e nenhum dos acidentes esteve relacionado com condições meteorológicas adversas.
Estes dados evidenciam uma realidade dura: a segurança rodoviária continua a ser um desafio estrutural em Portugal, onde o fator humano, a manutenção das vias e a segurança dos veículos são determinantes. Não se tratam de fatalidades isoladas, mas de sinais de alerta sobre comportamentos de risco, fiscalização insuficiente e lacunas na prevenção.
Relativamente à fiscalização, embora haja mudanças urgentes a implementar, nomeadamente a reestruturação da Unidade Nacional de Trânsito da Guarda Nacional Republicana (UNT/GNR) que, na nossa opinião, deve de ocupar o lugar da extinta Brigada de Trânsito [2], não podemos perder de vista que a atuação das Forças de Segurança, por si só, não é suficiente para enfrentar este desafio.
Torna-se, por isso, imprescindível um investimento público contínuo, sustentado por políticas integradas que articulem, entre outros domínios, a segurança rodoviária, a educação e a sensibilização das camadas mais jovens, o planeamento e a qualidade das infraestruturas, bem como a inovação tecnológica.
A mobilidade segura exige responsabilidade coletiva e políticas públicas consistentes. A morte de cada jovem na estrada não é apenas uma tragédia individual; é um sinal de alerta que convoca toda a sociedade a assumir, de forma ativa, a sua responsabilidade na promoção da segurança rodoviária.
Assim, estes números não podem reduzir-se a meras estatísticas. Devem ser um apelo urgente à mudança, lembrando-nos de que as estradas são caminhos de ligação, nunca de despedida. Pelo que garantir estradas mais seguras é uma exigência ética e cívica de uma sociedade que valoriza a vida.
Sousa dos Santos
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[1] Decorreu de 20 a 26 de janeiro a “Campanha Viaje Sem Pressa”, promovida conjuntamente pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), pela Guarda Nacional Republicana (GNR) e pela Polícia de Segurança Pública (PSP), a qual teve como principal objetivo alertar os condutores para os riscos do excesso de velocidade, fator que está na origem de cerca de um terço das mortes nas estradas portuguesas. De entre os dados disponibilizados há a registar 3130 acidentes, dos quais resultaram 12 vítimas mortais, 24 feridos graves e 708 feridos leves.
[2] Nesta matéria, a GNR além de ter como atribuição geral “velar pelo cumprimento das leis e regulamentos relativos à viação terrestre e aos transportes rodoviários, e promover e garantir a segurança rodoviária, designadamente, através da fiscalização, do ordenamento e da disciplina do trânsito”, ainda tem como atribuição especial “garantir a fiscalização, o ordenamento e a disciplina do trânsito em todas as infraestruturas constitutivas dos eixos da Rede Nacional Fundamental e da Rede Nacional Complementar, em toda a sua extensão, fora das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto”.

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