A sucessão de fenómenos meteorológicos extremos nas últimas semanas veio expor, de forma particularmente clara, fragilidades estruturais na resposta do país a situações de emergência. A morte de um trabalhador durante reparações na rede elétrica, em Leiria, não é apenas mais um episódio trágico, mas um sinal das condições em que são assegurados serviços essenciais sob crescente pressão operacional.
Desde o final de janeiro, contabilizam-se 15 vítimas mortais, centenas de feridos e prejuízos materiais significativos, um balanço que é revelador das fragilidades persistentes na forma como o país responde a situações de risco elevado.
Um acidente particularmente revelador da exposição acrescida a que estão sujeitos os profissionais que asseguram serviços essenciais em contextos de emergência, muitas vezes sob forte pressão para a rápida reposição de infraestruturas críticas. Esta realidade levanta questões que extravasam o episódio concreto, nomeadamente quanto à adequação das condições de segurança no trabalho, à articulação entre entidades responsáveis e à capacidade do sistema de proteção civil para responder a eventos cada vez mais frequentes e intensos.
Para além da solidariedade devida às vítimas e às suas famílias, impõe-se uma reflexão estruturada e profunda sobre diversas temáticas, nomeadamente a necessidade de reforçar a prevenção, o planeamento e o investimento na resiliência das infraestruturas, bem como na formação e proteção dos trabalhadores.
A normalização destes riscos não é compatível com uma resposta pública que se pretende eficaz e sustentável.
L.M.Cabeço

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