E, gradualmente, o novo ministro da Administração Interna vai compondo a sua rede de assessoria e apoio ao gabinete. Entre os nomes recentemente conhecidos, não passa despercebida a nomeação da jornalista Valentina Marcelino, diretora-adjunta do Diário de Notícias (DN), que passa agora a exercer funções de adjunta no gabinete de Luís Neves.
Recorde-se que, em 21 de fevereiro, num artigo do DN, descreveu o então diretor nacional da Polícia Judiciária como «um polícia do lado da solução, frontal e sem medo», acrescentando, num espaço de comentário na CNN Portugal, que este “não está normalmente com a corrente e não hesita em ir contra ela quando necessário”.
Num artigo publicado no Diário de Notícias em 31 de dezembro de 2025, a agora assessora defendeu que não faz sentido manter estruturas paralelas nas Forças de Segurança em áreas como operações especiais, capacidades cinotécnicas, unidades de ordem pública ou, em certos casos, até na própria investigação criminal.
Nesse texto, sustentava a necessidade de uma redefinição de missões: uma GNR com um foco mais claro no controlo de fronteiras, nas operações especiais e numa capacidade de ordem pública mais robusta, enquanto a PSP se concentraria na prevenção, proximidade e programas de policiamento comunitário. Defendia ainda que a investigação criminal poderia ser unificada, agregando os meios da GNR e da PSP sob coordenação da Polícia Judiciária, com jurisdição clara e sem interferências desnecessárias.
Propostas que implicariam uma reforma profunda do sistema de segurança interna e uma nova reestruturação das Forças e Serviços de Segurança. Importa também não perder de vista que, embora não tenham legitimidade eleitoral nem poder formal de decisão, os assessores podem exercer uma influência relevante na definição da agenda política, na preparação das decisões e na forma como estas são comunicadas.
Tendo em conta as figuras envolvidas, trata-se de um episódio que será naturalmente analisado à luz do debate recorrente sobre a transição de jornalistas para funções governativas, sobretudo pela sensibilidade das matérias em causa e pela necessidade de preservar a confiança nas instituições e a independência do espaço mediático.
Assim, transparência, clareza de papéis e escrutínio público serão essenciais para evitar ambiguidades e preservar a credibilidade de todos os envolvidos.
Sousa dos Santos

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