Mais um acidente, mais uma vítima mortal e vários feridos, desta vez na estrada que liga Monforte a Fronteira. Um episódio que, infelizmente, deixa de ser exceção para passar a refletir um padrão preocupante nas estradas portuguesas.
Esta ocorrência é mais do que uma notícia, é o reflexo de uma realidade que Portugal continua a adiar: a sinistralidade rodoviária não é uma fatalidade, mas uma falha coletiva.
Como temos vindo a referir, por detrás dos números estão vidas perdidas, famílias afetadas e comunidades marcadas. Apesar de conhecermos as causas e soluções, os indicadores continuam a agravar-se, revelando não só a necessidade de mais fiscalização, mas sobretudo a ausência de uma estratégia eficaz, liderança e uma verdadeira cultura de responsabilidade.
Ainda recentemente Manuel João Ramos afirmava que “podemos atravessar Portugal do Minho até ao Algarve e não encontrar uma patrulha da GNR nas estradas”, criticando a falta de aposta na segurança rodoviária e as lacunas na informação estatística sobre os mortos nas estradas. Por outro lado, no Correio da Manhã, Miguel Curado escreveu que “as mortes nas estradas disparam 36% no início deste ano em relação a 2025”, isto porque “137 pessoas perderam a vida no continente e ilhas, até 9 de abril, contra 101 do ano passado”.
De acordo com um comunicado Governo, estará a ser preparado “um pacote de medidas estratégicas, a médio e longo prazo, para inverter os números elevados e preocupantes da sinistralidade rodoviária”, porque “é preciso ir mais longe noutras matérias, que influenciem diretamente o comportamento do condutor, criando um ambiente rodoviário seguro”.
Ao Observador, o Ministro da Administração Interna «garantiu que será “implacável” com “comportamentos que não são admissíveis” nas estradas». Anunciou ainda que apresentará em breve um plano de curto, médio e longo prazo para inverter esta tendência.
A segurança rodoviária é, acima de tudo, uma questão de valores, um compromisso coletivo que exige ação política, mudança de comportamentos e uma maior consciência social sobre o valor da vida humana.
Não pode ser um tema ao qual só se dá atenção nas épocas festivas ou nos períodos de férias; tem de ser uma prioridade permanente, todos os dias.
Sousa dos Santos

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