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Catástrofes

Os incêndios e o “deixar arder à vontade”

Com a aproximação do período mais crítico do verão, multiplicam-se as notícias relacionadas com os incêndios florestais. Neste contexto, o jornal SOL destaca as declarações de Gary Morgan, especialista internacional na área e profundo conhecedor da realidade portuguesa, que alerta para os riscos de tratar os incêndios florestais como uma inevitabilidade, quando a evidência mostra exatamente o contrário: deixar arder “à vontade” é errado, perigoso e custa vidas, território e recursos.

Os alertas da OCDE e do citado especialista confirmam falhas estruturais num modelo excessivamente centrado na proteção de habitações, mas insuficiente na gestão e supressão ativa do fogo nas florestas. Utiliza algumas expressões como “desempenho vexatório”, “incompetência”, “falta de especialização”. O resultado repete-se todos os verões: incêndios cada vez maiores, mais destruição e um país permanentemente em reação.

A questão já não é apenas de meios, é de: estratégia, liderança e vontade política. 

Desta forma urge investir seriamente em:

  • Prevenção, 
  • Gestão florestal, 
  • Qualificação técnica e 
  • Ordenamento do território. 

Proteger vidas humanas continuará sempre a ser a prioridade absoluta, mas isso exige também travar os incêndios antes de se tornarem incontroláveis. Por isso, não podemos continuar a normalizar a perda do nosso património natural ano após ano. 

Sabemos o que temos de fazer. Há que tomar decisões, mudar o paradigma, mesmo que se vá contra os interesses instalados.

Sousa dos Santos 

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