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Defesa, Relações Internacionais

Guerra híbrida: a Europa perante um conflito sem fronteiras visíveis

Numa análise a “olho nu”, um avião na Finlândia e drones na Roménia e na Moldova poderão parecer episódios isolados. Mas se juntarmos as peças do puzzle e analisarmos os factos com alguma profundidade, facilmente concluímos que estamos perante uma realidade inquietante: a guerra híbrida está a alargar-se e a testar, de forma persistente, a capacidade de reação dos Estados europeus.

Estas ações situam-se deliberadamente numa zona cinzenta, num limbo, abaixo do limiar de um ataque militar convencional. Procuram desgastar instituições, avaliar vulnerabilidades, provocar insegurança e dificultar a atribuição inequívoca de responsabilidades.

A Europa não pode ficar-se pelas palavras de condenação. É preciso vigiar melhor o espaço aéreo, partilhar rapidamente informações entre países, proteger as infraestruturas essenciais e estar preparada para intercetar drones e responder de forma coordenada.

A guerra híbrida aproveita as dúvidas, as divisões e a demora na reação. Defender a Europa começa por perceber que a linha entre a paz e o conflito está cada vez mais esbatida. Quando um incidente não recebe uma resposta firme e credível, aumenta o risco de que outros se repitam.

A este propósito, não poderíamos deixar de uma intitulada Modern Hybrid Warfare: Russia versus the West, da autoria de Ryan C. Maness e de Brandon Valeriano, onde se analisa a forma como a Rússia combina operações militares convencionais com ciberataques, campanhas de desinformação, pressão energética e outras ações de influência contra o Ocidente[1].

Tendo como pano de fundo a guerra na Ucrânia, a obra ajuda a compreender um conflito que já não se trava apenas com tropas e armamento. Nos dias que correm, atacar um sistema informático, manipular a opinião pública ou explorar dependências económicas pode produzir efeitos tão relevantes como uma operação militar.

Ao examinar também os limites e as fragilidades da estratégia russa, o livro evita a ideia simplista de que a guerra híbrida constitui uma arma infalível. Trata-se de uma leitura atual e relevante para estudantes, investigadores, decisores políticos e todos os que procuram compreender as novas ameaças à segurança europeia.

Sousa dos Santos

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[1]Outras obras:

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