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Segurança

A “eucaliptização da segurança”

Os últimos dias ficaram marcados pelas intervenções de dois pesos pesados  da Guarda Nacional Republicana (atualmente fora da efetividade de serviço), o Sr. Coronel Carlos Maia Loureiro e o Sr. Coronel Bartolomeu Costa Cabral. Os quais através de dois artigos de opinião vieram a terreiro defender a manutenção do modelo dual, já de si consagrada em diversos documentos oficiais recentes (v.g. CEDN), e desmistificar um dos ditos exemplos de sucesso de fusão de polícias – o caso belga, o qual é recorrentemente apresentado por alguns ilustres pensadores portugueses para justificar a implementação do modelo de polícia única em Portugal.

eucaliptizaçãoClaro que a resposta não tardou, e na sua coluna de opinião dominical do CM, o Sr. Presidente da ASFIC, claro opositor do modelo dual, apontou as suas baterias, devidamente municiadas com os argumentos do “CESP” (já por aqui comentados), e disparou sobre aqueles oficiais, argumentando que a reforma diminui a capacidade de reflexão, fecha e dogmatiza a discussão, tudo num tom que lembra a famosa “teoria da peste grisalha”. Termina a sua coluna, afirmando que este investimento na reinvenção do conceito de modelo dual serve para, qual eucalipto, secar ou até aniquilar forças policiais de comprovada eficácia.

Neste âmbito, começaria por aconselhar a leitura do “Livre blanc sur la défense et la sécurité nationale 2013”, na página 96, onde se refere a importância do papel desempenhado pela Gendarmerie Nationale (uma força de segurança francesa congénere da Guarda Nacional Republicana) no contexto da segurança interna e da defesa, para que alguns equívocos se desfaçam.

E depois, a título muito pessoal, acho que a preocupação de certos sectores em relação às forças de segurança de natureza militar (FSNM), não residirá tanto no receio de definhamento e aniquilação das denominadas “forças policiais de comprovada eficácia” (FPDCE) por ação da eucaliptização promovida pelas primeiras, mas antes do seu vigor e da sombra que fazem, quais carvalhos frondosos em relação à restante vegetação (mais rasteira), mas permitindo sempre o equilíbrio no ecossistema da segurança. Isto porque é timbre das FSNM, além da sua também comprovada eficácia, serem eficientes, ou seja, conseguirem levar a cabo o seu extenso leque de atribuições, atingir um patamar de atuação de qualidade acrescida (entre outros fatores devido à sua dupla valência) com os mesmos recursos e em muitos casos com menos.

À eucaliptização da segurança, assemelham-se, isso sim, algumas soluções preconizadas (ao que consta) por elementos afetos às FPDCE, as quais, ainda recentemente, foram classificadas como aventureirismos na segurança pelo Ministro da Administração Interna.

Manuel Ferreira dos Santos
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