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Ciências Forenses, Segurança

MapsCrime

Sumário

map1Segundo as estatísticas, os tipos de crimes que mais se destacam são o furto e seguidamente o pequeno roubo, apresentando cerca de 406 mil vítimas por ano. Os assaltos são realmente um problema social, mas podem ser evitados! Assim, surge o MapsCrime, um serviço multiplataforma (web/app android) para potenciais vítimas que querem aceder às ocorrências criminais para autoproteção e para vítimas que, não só, querem registar os crimes, como também, reaver os seus objetos subtraídos. Este serviço permitirá portanto, o acesso e registo das ocorrências criminais, assumindo-se como o serviço pioneiro de partilha de informação criminal e possíveis locais para reaver os objetos subtraídos. Para além da possibilidade de auxiliar as forças de segurança na diminuição das cifras negras, e consequentemente no aumento do conhecimento da criminalidade real.

Este projeto tem como base a investigação académica, no âmbito da tese de mestrado que se intitula “Roubos e Furtos como ação coletiva: olhares e práticas dos reclusos condenados, vítimas e tribunais”, da promotora Laura Jota. Este estudo visa a recolha de métodos e práticas da dinâmica criminal, tanto dos reclusos condenados como das vítimas, com o intuito de prevenir e controlar a pequena criminalidade.

1. O Conceito MapsCrime

      1.1. Necessidade/Problema

O crime de furto e roubo é o tipo de crime que mais se destaca, em termos concretos são registados por ano 133.937 mil participações oficiais (RASI, 2013). No entanto, as estatísticas criminais são provavelmente as menos fiáveis e difíceis de interpretar de todas as estatísticas sociais, uma vez que, o comportamento pode ser deficientemente etiquetado, não incluir crimes que não são detetados, crimes que não são reportados à polícia, crimes que podem ser deficientemente registados nas polícias, e por fim, a mais relevante, as estatísticas não incluem as cifras negras do crime, que se designada pelo crime que não é conhecido nem denunciado aos órgão de polícia criminal. Tal como Dias e Andrade (1997:133) referem entre o acontecer do crime e o seu registo estatístico, este é submetido a uma ação erosiva e transformadora de múltiplas vicissitudes, o que torna a conversão do ‘crime real’ em ‘crime estatístico’ altamente contingente.

Assim perante esse facto, conclui-se que os programas oficiais de prevenção e intervenção tornam-se pouco eficientes, uma vez que, se centram na criminalidade registada oficialmente e não na criminalidade real.

Por outro lado, identifica-se que Portugal é um país que apresenta níveis de medo e insegurança elevados (Machado, 2004), no entanto, estes podem ser minimizados na medida em que, as pessoas sentem-se mais seguras em áreas que conhecem do que em áreas desconhecidas, sendo que, o medo e a insegurança estão relacionados com características espaciais e podem ser descritos a partir de áreas concêntricas, ou seja, sugere uma variação do sentimento de insegurança entre as “áreas conhecidas” e “áreas desconhecidas”, sendo nas zonas conhecidas que as pessoas se sentem mais seguras (Cardoso, Seibel, Monteiro & Ribeiro, 2013).

Para além do referido e no âmbito desta investigação, nomeadamente, na realização de entrevistas a reclusos condenados e vítimas de roubos e furtos, conclui-se que o comportamento da vítima interfere no ato criminoso, tal como a familiar expressão refere “a ocasião faz o ladrão”, e nada melhor do que excertos das narrativas dos próprios reclusos a corroborar:

  • “Não, não era nada planeado. Tanto podia roubar um estabelecimento como outra coisa, o que aparece-se lá ia. Como se costuma dizer, a ocasião faz o ladrão.” (Nélson, condenado por roubos e furtos);
  • “No roubo de esticão, íamos devagarinho com o carro na berma da estrada (…) depois puxávamos as carteiras que estavam do lado da estrada, claro das pessoas que se punham mais a jeito!” (Sílvia, condenada por roubos);
  • “Lembro-me que houve uma altura que vimos uma casa com a janela aberta, e pimba entrámos, lá está foi um descuido dos senhores porque deixaram a janela aberta” (Ricardo, condenado por furtos);
  • “Nem todos os carros pegam com vareta, as grandes máquinas só com chave. E há pessoas que são descuidadas e deixam as chaves dentro do carro, e siga lá vamos.” (Hélio, condenado por furtos);
  • “Entrava pelas janelas, e há janelas que fecham nas pontas e com o desandador abre-se com muita facilidade, não têm segurança nenhuma” (Hélio, condenado por furtos).

Paralelamente, os sentimentos e atitudes apresentados pelas vítimas antes da ocorrência criminal transparecem elementos como descontração, descuido e despreocupação, o que não

apresentam atitudes preventivas face a um possível acontecimento criminal. Sendo que, alguns expõem fatores aliciadores antes da ocorrência, nomeadamente, computador visível no banco de trás (Tiago), abertura da mala recheada de objetos valiosos (Cláudia), carteira posicionada do lado da estrada com aparente descontração (Tatiana).

Assim, tal como refere a teoria das abordagens de atividades rotineiras defendida por Albert Cohen e Marcus Felson (1979) na qual procura explicar a evolução das taxas de crime não por meio das características dos criminosos, mas sim as circunstâncias em que os crimes ocorrem. Os autores sustentam que para que um ato predatório ocorra é necessário que haja uma convergência no tempo e no espaço de três elementos: 1) ofensor motivado, que por alguma razão esteja predisposto a cometer um crime; 2) alvo disponível, objeto ou pessoa que possa ser atacado; 3) e ausência de guardiões, que são capazes de evitar o acontecimento criminal.

    1.2. Solução

Tendo em conta os problemas identificados, nomeadamente, a relevante prevalência de assaltos, o elevado sentimento de insegurança, a elevada taxa de crimes desconhecidos pelos órgãos de polícia criminal, e o facto de o comportamento da potencial vítima interferir no ato criminoso, a solução que se propõe tem como principal objetivo a prevenção e controlo da pequena criminalidade (furtos e roubos).

Há estudos que afirmam que, quanto maior o conhecimento sobre a área por parte do individuo, maior é o sentimento de segurança. Daí um dos fundamentos da criação do MapsCrime, que vai possibilitar aos cidadãos informação das suas “zonas desconhecidas” tornando-as conhecidas e consequentemente, aumentando o sentimento de segurança.

Por outro lado, é importante referir, que a probabilidade de vitimização aumenta quanto maior a exposição e atratividade da possível vítima e diminui conforme o indivíduo se protege.

map2

Deste modo, apresento o MapsCrime. Um serviço de partilha de informação criminal, que dará a possibilidade de aceder e registar as ocorrências criminais e possíveis locais para reaver os objetos subtraídos, através de uma plataforma online (site e aplicação móvel).

 O MapsCrime terá, portanto, como principais atividades:

1. Acesso detalhado das ocorrências criminais;

2. Aumento da autoproteção criminal;

3. Possibilidade de reaver os objetos subtraídos.

A solução aqui apresentada surgiu ao longo do desenvolvimento da dissertação de Mestrado da promotora, onde identificou não só, os problemas sociais mencionados – elevada taxa de assaltos, aumento do sentimento de insegurança e elevado número de crimes desconhecidos pela polícia – como também, uma solução para os combater e minimizar.

    1.3 Caraterísticas diferenciadoras

O MapsCrime é um serviço multiplataforma (website/app andoid) de partilha de informação criminal para os cidadãos e dos cidadãos.

Este serviço é singular em Portugal, pretendendo ser o serviço online de partilha de informação criminal, numa ótica de prevenção e controle da pequena criminalidade.

Deste modo, como características diferenciadoras destacamos:

  1. Serviço multiplataforma, facilitando o acesso a este tipo de serviço a um conjunto mais alargado de utilizadores (web e aplicações móveis).
  2. Acesso a um conjunto, novo e revolucionário, de repositório de furtos e roubos.
  3. Registo das ocorrências criminais por parte do cidadão: o utilizador poderá registar o crime que foi vítima, havendo uma distinção para os crimes denunciados e não denunciados às autoridades.
  4. Possibilidade de reaver os objetos subtraídos: através da divulgação dos dados identificativos do objeto (ex.: matrícula e marca do veículo).
  5. Divulgação de informações úteis referente à autoproteção criminal: dicas e conselhos. Dicas/conselhos específicos e temporais tirando partido da distribuição contextualizada (localização) e sua distribuição em tempo real através da plataforma. Dicas/conselhos genéricos fornecidos pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), fruto da parceria já estabelecida.

Para além disso, a base teórica deste serviço é, sem dúvida, uma caraterística diferenciadora, uma vez que, está inserida no âmbito da dissertação de Mestrado da promotora, intitulado “Roubos e furtos como ação coletiva: olhares e práticas de reclusos condenados, vítimas e tribunais”, tendo como objetivo principal perspetivar este tipo de criminalidade a partir das representações sociais e das práticas de vários atores sociais: reclusos condenados, vítimas e tribunais. Adota-se uma perspetiva teórica interacionista, que visa compreender as diferentes dinâmicas que compõem a construção social do desvio como uma ação coletiva, na qual intervêm a ação dos desviantes e a ação da reação social. A metodologia adotada combina diversas técnicas de pesquisa, desde análise documental, observação de julgamentos judiciais à realização de entrevistas semiestruturadas a reclusos e a vítimas. Todos os dados conclusivos e profícuos para o serviço MapsCrime serão introduzidos e partilhados na plataforma online, e não apenas para a comunidade académica.

2. Potencialidades do MapsCrime

Para concluir sublinho as potencialidades desta plataforma, por um lado, na ótica do utilizador (cidadão) e por outro, na ótica das forças de segurança.

O MapsCrime carateriza-se, portanto, como uma ferramenta de apoio ao combate e controle deste tipo de criminalidade, tanto por parte das forças de segurança como por parte do cidadão.

      2.1 Potencialidades para o cidadão

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       2.2 Potencialidades para as forças de segurança

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Laura Lamosa Jota

__________________________________

Referências bibliográficas
Cardoso, G. R., Seibel, E. J., Monteiro, F. M., & Ribeiro, E. A. (2013). Percepções sobre a sensação de segurança entre os brasileiros: investigação sobre condicionantes individuais. Revista brasileira de segurança pública. São Paulo v, 7(2), 144-161.
Cohen, Lawrence e Felson, Marcus. (1979). Social change and crime rate trends: a routine approach. American Sociological Review, 44: 588-608.
Dias, Jorge e Andrade, Manuel. (1997) Criminologia, O Homem Delinquente e a Sociedade Criminógena. Coimbra Editora.
Machado, Carla. (2004). Crime e insegurança: discursos de medo e imagem do outro. Editorial Notícias. Lisboa.
Relatório Anual de Segurança Interna. (2013). Ministério da Administração Interna. Recuperado de: http://www.portugal.gov.pt/media/564308/rasi_2013.pdf
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