Numa freguesia rural do concelho de Viseu, ao início da manhã, dois militares da Guarda Nacional Republicana (GNR) foram atingidos a tiro quando cumpriam um mandado de busca.
Em primeiro lugar, esta ocorrência evidencia de forma clara, e sem margem para dúvidas, os riscos inerentes às operações policiais, independente da sua natureza, no caso em apreço tratava-se do cumprimento de um mandado de busca.
Depois, mercê da imprevisibilidade associada a suspeitos com acesso a armas de fogo e historial de violência, este episódio levanta questões relevantes sobre a avaliação prévia do risco em intervenções desta natureza, bem como sobre o controlo de armas, questão bem patente num outro episódio ocorrido em Portalegre.
Além disso, este caso reforça a necessidade de protocolos de segurança rigorosos, formação contínua e planeamento neste tipo de operações.
É mais um episódio que se vem juntar a tantos outros, relatados de forma contínua na imprensa:
- Militares da GNR agredidos numa festa ilegal . In Observador
- Condutor alcoolizado despistou-se após tentar atropelar polícias para evitar fiscalização. In JN
- Três homens detidos após agressão a militar da GNR em desacatos junto a tribunal. In DV
- Jovem que terá esfaqueado polícia em esquadra de Leiria fica em prisão preventiva. In SIC
- Militar da GNR morreu em abalroamento por lancha do tráfico de droga: “Estas redes sentem-se imparáveis“. In Expresso
- Jovem destrói apartamentos à machadada e tenta agredir polícias. In JN
Evidencia-se, assim, simultaneamente, a complexidade da ação policial e os riscos inerentes ao cumprimento da missão e das atribuições das Forças de Segurança, riscos esses que não podem, nem devem, ser condicionados pelo nível de habilitações literárias exigido no ingresso, argumento frequentemente invocado por setores do comentariado, em regra distante da realidade operacional no terreno.
Neste contexto, assume particular relevância a posição de estruturas associativas e sindicais, ao insistirem na atribuição às Forças de Segurança (GNR e PSP) de um suplemento de risco igual ao que foi atribuído à Polícia Judiciária. A sucessão destes incidentes reforça o argumento de que a exposição ao perigo é transversal e constante, justificando medidas que reconheçam, de forma mais equitativa, a exigência, o desgaste e o risco inerentes ao exercício da função.
L.M.Cabeço

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