A Polícia de Segurança Pública (PSP) registou 2.945 candidaturas ao novo concurso de agentes, menos 447 do que no anterior, o que se traduz numa quebra de 13%.

Nada que não estivéssemos à espera.
E este é apenas o ponto de partida: até à entrada no curso, haverá ainda várias etapas eliminatórias que reduzirão necessariamente este número. E durante o curso as inevitáveis desistências e expulsões.
Mais importante do que constatar esta descida é perceber por que razão ser polícia está a perder atratividade.
Remunerações pouco competitivas face às exigências da função, risco permanente, horários difíceis, crescente pressão operacional e judicial, dificuldades de conciliação familiar e uma perceção persistente de insuficiente reconhecimento social e institucional ajudam a explicar um problema que não nasceu hoje. Foi-se agravando ao longo dos anos, enquanto quem tinha a responsabilidade de o enfrentar assistia, demasiadas vezes, impávido e sereno, limitando-se a adotar medidas pontuais e paliativas, incapazes de produzir mudanças estruturais.
Depois vêm as consequências.
Menos candidatos significam uma base de recrutamento mais estreita, menor capacidade de seleção, maiores dificuldades em substituir os profissionais que abandonam o serviço e um progressivo envelhecimento dos efetivos. O resultado é previsível: mais sobrecarga sobre quem permanece, maior pressão sobre a capacidade operacional da PSP e, inevitavelmente, dificuldades acrescidas na resposta às necessidades de segurança dos cidadãos.
Não basta flexibilizar requisitos ou multiplicar campanhas de recrutamento. É necessário tornar novamente atrativa a profissão de polícia.
Porque quando uma instituição essencial à segurança do Estado começa a ter dificuldade em convencer jovens candidatos a entrar nas suas fileiras, o problema já não é apenas da PSP.
É um problema de segurança da sociedade em geral, e, por isso, bastante grave.
Sousa dos Santos

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