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Defesa Nacional, Relações Internacionais, Segurança

Sahel — Desafios à Segurança de África

O Sahel deixou há muito de ser apenas um problema africano. A expansão do terrorismo e das insurgências armadas, a fragilidade

dos Estados, os golpes militares, os fluxos migratórios, o crime organizado e a crescente influência de potências externas transformaram esta vasta região numa das áreas mais sensíveis para a segurança de África e, cada vez mais, da própria Europa.

É neste contexto que surge Sahel — Desafios à Segurança de África: Incursões Teórico-Analíticas nas Questões de Segurança, de Augusto Trindade, uma obra que concentra a análise no Sahel Central, Mali, Burkina Faso, Níger e Chade, procurando compreender as causas da instabilidade regional e as suas repercussões na Líbia, na costa atlântica africana, do Senegal ao Golfo da Guiné, e no continente europeu.

A experiência de Augusto Trindade confere particular interesse ao trabalho. Com formação em Antropologia, Relações Internacionais e Estudos Africanos, foi docente universitário e serviu o Estado durante mais de três décadas na área da segurança nacional, reunindo assim uma perspetiva académica e uma experiência profissional especialmente relevantes para a compreensão de uma região marcada por desafios simultaneamente políticos, militares, sociais e económicos.

A instabilidade do Sahel tem igualmente uma expressão direta nos movimentos migratórios em direção à Europa. Os conflitos armados, o terrorismo, a fragilidade institucional, a pobreza e a ausência de perspetivas económicas empurram muitas pessoas para rotas migratórias perigosas, frequentemente exploradas por redes criminosas dedicadas ao tráfico de migrantes. O Sahel é, simultaneamente, região de origem, de trânsito e de concentração desses movimentos.

Compreender a segurança no Sahel significa, por isso, compreender também algumas das causas estruturais da pressão migratória sobre a Europa. O controlo das fronteiras europeias constitui apenas uma parte da resposta. A estabilização política dos países da região, o reforço das instituições, a criação de oportunidades económicas e o combate às organizações terroristas e às redes de criminalidade organizada são igualmente determinantes para reduzir as condições que alimentam esses fluxos.

Num momento em que o Sahel se tornou palco de competição geopolítica, expansão jihadista, sucessivos golpes de Estado e enfraquecimento da presença europeia, este livro constitui um contributo oportuno para compreender uma região ainda distante no mapa mental de muitos europeus, mas cujas crises produzem consequências cada vez mais próximas.

Conhecer o Sahel é hoje compreender uma parte importante dos desafios à segurança africana, mas também à segurança, à estabilidade e à gestão dos movimentos migratórios na Europa.

Sousa dos Santos

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