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Saúde, Segurança

Adolescentes em perigo

No passado fim-de-semana, a Polícia de Segurança Pública de Lisboa (PSP) lançou uma operação de fiscalização de menores em risco, tendo para o efeito contado com a colaboração da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ).

Resultado de imagem para young people at risk in the nightEsta ação teve como objetivo identificar menores de 18 anos em zonas referenciadas pelo consumo de álcool e outras drogas, bem como prevenir situações suscetíveis de colocar em perigo a vida e a integridade física das crianças, nomeadamente serem vítimas de diversos crimes ou acidentes de viação. Constatou-se que  «74 menores, 45 com menos de 16 anos, “deambulavam” na rua sem acompanhamento de um adulto, tendo uma jovem sido sinalizada à comissão de proteção de menores, anunciou a polícia».

Uma pálida imagem daquilo que efetivamente se passa nessas noites, em que verdadeiros magotes de jovens aparentando idade inferior a 16 anos calcorreiam, sobretudo durante o fim-de-semana, algumas artérias das grandes cidades, consumindo de forma desabrida bebidas alcoólicas, bem como outros tipos de substâncias.

A precoce introdução destes jovens “nos meandros da noite” associado ao consumo das substâncias a que atrás aludimos, além das consequências nefastas para a saúde a médio e a longo prazo, é suscetível de estabelecer conexões com o mundo da delinquência, do qual, por vezes, não há regresso sem que se tenha percorrido um trajeto que se inicia num Posto da GNR ou numa Esquadra da GNR, passa pelas instituições judiciais e desagua na institucionalização e numa fase posterior num qualquer estabelecimento prisional a abarrotar de “formadores altamente qualificados” na “arte de bem delinquir”.

Isto, apesar de todo o acervo legislativo que regula esta matéria e de uma miríade de “agremiações” onde pululam diversos “savants” que de vez em quando expelem, de forma diversa, a suas opiniões sobre este assunto. Mas, nem a lei, nem a escola, nem as opiniões dos tais “savants” conseguem suprir o papel fundamental da família que deve encaminhar e orientar os menores desviando-os do abismo e ao mesmo tempo preparando-os para a realidade onde terão de viver e sobreviver, a qual é muito diferente das séries de televisão, dos jogos, dos vídeos e das redes sociais.

A família estará a cumprir este papel? A polémica que recentemente estalou em torno do programa Supernanny veio levantar a ponta do véu nesta matéria. E, muito sinceramente acho que uma fatia significativa dos pais, independentemente do nível de escolaridade ou do estrato social, não estará a desempenhar cabalmente esse papel fruto de várias de contingências, às quais, por vezes, são alheios. Daí que através de uma espécie de “delegação de poderes” atribuam essa competência à escola e a outras instituições, ao que adicionam a aplicação do “princípio da máxima liberdade, máxima responsabilidade”. Assim, para os pais resta a “nobre missão” de serem os melhores amigos dos filhos. Tudo o que corre mal é culpa da escola e das restantes instituições com que vão contactando.

Depois surgem situações como a de Bilbau, Espanha, em que grupos de jovens, a maioria com menos de 18 anos, estão a causar o pânico através da prática de assaltos, agressões e homicídios, e a sociedade em geral fica muito escandalizada, o mesmo sucedendo quando um jovem vizinho, aparentemente inofensivo, é notícia por suspeitas de radicalização. Mas em regra, não se consegue ir além do escândalo e da indignação, porque se belisca o politicamente correto e vai-se contra os cânones dos “savants”.

A Islândia, nos anos 90, também se debateu com este problema, não se podendo andar na baixa de Reiquejavique às sextas à noite, devido às hordas de adolescentes a embebedar-se e a consumir estupefacientes, os quais acabavam por ficar violentos. Contudo, gradualmente, este país conseguiu diminuir drasticamente o consumo de tabaco, álcool e drogas pelos jovens através de um programa que os canaliza para um leque de atividades desportivas e artísticas, e que ao mesmo tempo apela ao enquadramento familiar, fomentando o bem-estar físico e psicológico de milhões de adolescentes, reduzindo as despesas com cuidados de saúde e o risco de ingresso no mundo do crime, beneficiando a sociedade como um todo.

Por cá e noutros países que enfrentam a mesma problemática, sucedem-se as comissões e grupos de trabalho que reúnem das 9 às 5 nos dias úteis e o fenómeno da delinquência juvenil vai proliferando, atingindo dimensões significativas, cuja inversão se torna cada vez mais difícil de controlar. Tudo isto se desenvolve num contexto de passividade dos pais na função de educar, convencidos de que qualquer medida que contrarie a vontade dos menores, terá consequências ao nível do défice de atenção, frustração e revolta por não saberem lidar com “não” gerando comportamentos não previsíveis, que tornam a vida familiar num inferno e que exigem inúmeras e dispendiosas consultas de especialistas.

Acresce que os encargos para a sociedade são elevadíssimos face às patologias desenvolvidas e às sequelas que daí resultam, estando-se a perder uma boa parte de uma geração importantíssima para o futuro do país já de si tão envelhecido. Talvez esteja na hora de adaptar o “modelo islandês” à nossa realidade e proceder à sua implementação, reduzindo o número de adolescentes em perigo.

Sousa dos Santos

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