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Justiça, Saúde, Segurança

“Psicose cannábica”

I

Resultado de imagem para drogaSegundo um inquérito nacional elaborado pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), um em cada dez portugueses já consumiu canábis pelo menos uma vez e quase meio milhão de portugueses consomem esta droga ao longo da vida. De acordo com este serviço os componentes químicos da canábis são muitos, sendo os mais conhecidos os Cannabinoides e, concretamente o Delta 9 tetrahidrocannabinol (THC), alcaloide responsável por quase todos os efeitos característicos destas substâncias. Os Cannabinoides são rapidamente absorvidos pelo pulmão ou pelo tubo digestivo. A sua duração média é elevada, devido à sua grande liposolubilidade. Estes são assimilados pelas gorduras do organismo, libertando-se depois lentamente no plasma, onde permanecem durante muito tempo. Por este motivo, pode ser detetado na urina dos grandes consumidores, mesmo semanas depois de estes abandonarem o consumo. No Sistema Nervoso Central, o THC atua sobre um recetor cerebral específico, que está distribuído de forma irregular, sendo a maior concentração nos gânglios basais, hipocampo e cerebelo.

II

Certamente, antes de tudo mais, atentos às potencialidades deste universo eleitoral, o BE e o PAN apresentaram propostas de lei para legalizar a canábis destinada ao uso pessoal, estribando-se nos seguintes argumentos:

  • Combate  às redes de tráfico;
  • Saúde pública;
  • Política proibicionista não é uma solução;
  • Redução do consumo de outras substâncias mais tóxicas;
  • Importante fonte de receita fiscal.

III

A informação disponibilizada pelo SICAD alerta para um conjunto de efeitos, do ponto de vista físico e psíquico, uns de caráter imediato  e outros que aparecem a longo prazo.

  • Aumento da frequência cardíaca;
  • Aumento da pressão arterial sistólica quando se está deitado e a sua diminuição quando se está de pé;
  • Aumento da pressão arterial sistólica quando se está deitado e a sua diminuição quando se está de pé;
  • Congestão dos vasos conjuntivais (olhos vermelhos);
  • Dilatação dos brônquios;
  • Diminuição da pressão intraocular;
  • fotofobia;
  • Tosse;
  • Diminuição do lacrimejo.   

Acresce que no caso de pessoas com pouca experiência e que a ingerem em lugares desconhecidos, os efeitos negativos mais frequentes são sintomas de ansiedade e ataques de pânico. Também, depois da euforia inicial, podem surgir sintomas de depressão.  Em pessoas vulneráveis ou consumidores de doses muito elevadas, pode provocar, em menor grau, um quadro psicótico-alucinatório-delirante agudo. Estes sintomas são mais frequentes nos países onde se consomem produtos potentes em THC. Os transtornos são de breve duração e em geral não é necessária uma assistência especializada.   

A longo prazo:

  • Nos fumadores produz bronquite e asma;
  • O risco de contrair cancro do pulmão é maior, devido ao fumo ser inalado de uma forma mais profunda;
  • Os efeitos endócrinos mais destacados são a diminuição da testosterona, inibição reversível da espermatogénese no homem e uma supressão da LH plasmática, que pode originar ciclos anovulatórios na mulher;  
  • Os filhos das mulheres consumidoras crónicas podem apresentar problemas de comportamento;
  • Produz alterações na resposta imunológica, apesar da sua importância clínica ser desconhecida;  
  • Nos fumadores crónicos, o consumo pode provocar um empobrecimento da personalidade (apatia, deterioração dos hábitos pessoais, isolamento, passividade e tendência para a distração). Esta situação é semelhante à dos consumidores crónicos de outros depressores do Sistema nervoso Central. Alguns autores denominaram-na como “síndrome amotivacional”;    
  • A existência de uma psicose cannábica crónica é controversa e atualmente admite-se que só apareceria em indivíduos propensos a padecer de algum transtorno psicológico;    
  • Potencial de dependência;   
  • Provoca uma síndrome de abstinência leve (ansiedade, irritação, transpiração, tremores, dores musculares). A tolerância só ocorre nos grandes consumidores. Já que o seu mecanismo de ação no sistema nervoso se faz através de recetores específicos, não existe tolerância cruzada com nenhuma outra substância.  

IV

Os argumentos apresentados pelas propostas de lei acima citadas podem ser facilmente rebatidos. Desde logo a questão da saúde pública. Perante o acervo de efeitos físicos e psíquicos de curto, e longo prazo atrás apresentado, se houver um aumento do número de consumidores, mercê do fim da desaprovação social e da convição da sua inocuidade, estaremos a sobrecarregar, ainda mais, o já de si depauperado Serviço Nacional de Saúde.

Depois, o “mercado negro” não acaba, porque ao regular-se os níveis de THC, as redes de tráfico encarregar-se-ão de apresentar outros produtos mais atrativos. Nada mais, nada menos que a lei da oferta e da procura a funcionar.

Além disso, estas redes podem operar com preços mais baixos, pois não têm de pagar pelas licenças de operadores, logo não estão sujeitas à “canga” administrativa, nem à “canga” fiscal. O caso californiano é bastante ilustrativo.

Portanto, achamos que estas propostas de lei não são vantajosas, permitindo, no caso de serem aprovadas, que os seus autores  retirem daí alguns dividendos políticos (o apelo das franjas é terrível), com os custos a serem suportados pela sociedade em geral e de uma forma especial pelos contribuintes.  

A solução passa por uma prevenção séria e credível, nomeadamente nas escolas e nos órgãos de comunicação social, em relação a todas as substâncias psicoativas, onde se incluem o álcool e o tabaco. Quanto ao resto, cumpra-se o quadro legal em vigor.

Manuel Ferreira dos Santos

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