O Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP) é constituído por organismos públicos que têm a responsabilidade de prestar apoio ao decisor político, antecipando e avaliando as diferentes ameaças que visem Portugal e os seus interesses, bem como as oportunidades em cenários voláteis e complexos.

No caso concreto do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) atua sem limitação de área geográfica, contribuindo para a salvaguarda da independência nacional, dos interesses nacionais e da segurança externa do Estado português.
Num retrato dos serviços de informações europeus elaborado pela L’Express, com base na audição de 60 especialistas, Portugal surge particularmente valorizado pelo trabalho desenvolvido em África, sendo mesmo apontado como uma “autoridade na África Austral”.
Este reconhecimento merece atenção. Num país que tantas vezes tende a olhar para a sua dimensão territorial como uma limitação, esta é uma excelente demonstração de que a influência de um Estado não se mede apenas em quilómetros quadrados, população ou capacidade militar.
Afere-se também através das seguintes vertentes: conhecimento, experiência acumulada, redes de confiança e capacidade de compreender regiões onde outros têm maiores dificuldades em operar.
A ligação histórica de Portugal a África, a língua portuguesa e décadas de relações diplomáticas, militares, económicas e culturais constituem um capital estratégico que deve ser preservado e aprofundado.
Num mundo marcado pelo regresso da competição entre potências, pelo terrorismo, crime organizado transnacional, disputas por recursos naturais e crescente presença da China e da Rússia no continente africano, informação antecipada e conhecimento do terreno são poder.
O reconhecimento internacional dos serviços de informações portugueses deve, por isso, ser encarado menos como motivo de celebração e mais como uma responsabilidade.
Portugal tem poucos instrumentos de poder à escala global. Quando dispõe de uma vantagem comparativa, deve saber protegê-la, investir nela e colocá-la ao serviço dos interesses estratégicos nacionais. Porque, neste domínio, como em tantas outras áreas da segurança, o que verdadeiramente conta não é aquilo que se proclama. É aquilo que os outros reconhecem que sabemos fazer.
Sousa dos Santos

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