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Catástrofes

Catástrofes – áreas edificadas

1. Introdução

As catástrofes, com todas as consequências  nefastas que acarretam, são cada vez mais uma realidade com que nos temos de confrontar.


Só em 2012,  terão estado na origem de 9.500 mortos e de 121.000 milhões de euros de prejuízos. A maior fatia destes prejuízos está relacionada com catástrofes ocorridas nos Estados Unidos (país tradicionalmente avesso ao debate e tomada de medidas em matéria climática), o furacão Sandy e a seca no Mydwest. No que se refere ao número de vítimas mortais, o primeiro lugar em 2012 foi ocupado pelo tufão Bopha, nas Filipinas com perto de duas mil vítimas [1].

Embora estes números sejam claramente inferiores aos de 2011, com um volume de prejuízos na ordem dos 300.000 milhões de euros e com 27.200 mortos, o que se ficou a dever, sobretudo, ao tsunami ocorrido em março de desse ano no Japão, os mesmos não deixam de ser significativos.

Cerca de 75% da população mundial vive em áreas que entre 1980 e 2000, foram atingidas, pelo menos, uma vez por desastres e catástrofes naturais; morrendo, em média, por dia, 184 pessoas em consequência directa destes. Nos países menos desenvolvidos vive 11% da população exposta aos desastres e catástrofe naturais, mas ocorrem 53% das mortes causadas por estes, enquanto nos países mais desenvolvidos 15% está exposta a este tipo de fenómenos, mas a percentagem de mortes relacionada com os mesmos não chega aos 2% [2]. Só as catástrofes naturais, na última década, vitimaram mais de 600 mil mortos, e afectaram de forma directa ou indirecta cerca de 2,4 biliões de pessoas [3].

Se contrapusermos as perdas humanas e económicas originadas por desastres naturais na Europa e em África, constatamos que por cada morte na Europa, ocorrem 128 mortes em África. Mas em contrapartida por cada milhão de perdas económicas em África, há 77 milhões de perdas na Europa, o que resulta, sobretudo, da quase inexistência de infraestruturas no continente negro, e as que existem assumem um papel mais preponderante do que no continente europeu, por causa da sua difícil substituição, podendo inclusive cortar totalmente as comunicações ou isolar fatias significativas da população do sistema de educação e da assistência sanitária.

2. Áreas edificadas

Vivemos num mundo em constante urbanização. No Sec. XI, a cidade mais populosa do mundo era Córdoba, com cerca de 450 000 habitantes, no início do Sec. XIX esse lugar era ocupado por Pequim com 1,1 milhões de habitantes, e por volta de 1900 Londres campeava nesta matéria com 6,5 milhões de habitantes, tendo atrás de si cidades como Nova Iorque, Paris e Berlim. Em 1950, 30% da população mundial vivia nas cidades, número que foi aumentando e em 2000 esse número já ascendia aos 40%, chegando aos 50% em 2007, prevendo-se que atinja os 60% em 2030. Estima-se que em 2015 o mundo tenha cerca de 60 megacidades (cidades com mais de 5 milhões de habitantes), e 25 desses aglomerados terão uma população superior a 10 milhões de habitantes.

Neste tipo de aglomerados populacionais existe um maior risco em termos de segurança (encarada nas diversas vertentes), basta analisar as possíveis consequêncais (em termos de vítimas e de danos materiais) de um bombardeamento convencional, de um ataque terrorista (com recurso a uma infinda panóplia de métodos), de um sismo, tsunami, ciclone tropical, vulcão, ou de inundações numa megacidade, ou numa cidade de grandes dimensões.

Ao nível dos edifícios, num ambiente urbano, independentemente da sua génese, uma das consequências possíveis das catástrofes é o respetivo colapsamento, podendo daí resultar o soterramento de um número variável de pessoas.

3. A resposta

Na fase de “Resposta” do denominado “Ciclo da Catástrofe”, a prioridade deve ser o resgate dos sobreviventes (providenciando cuidados médicos imediatos e apoio psicológico), passando-se, de seguida, à busca e resgate dos cadáveres e subsequente identificação.

finder-demo-apr2013-govdel_originalEsta preocupação está bem patente em diversos instrumentos internacionais, disponíveis, nomeadamente no International Search and Rescue Advisory Group, ou no  Australian Emergency Management, e no plano interno no Plano Especial de Emergência para o Risco Sísmico na Área Metropolitana de Lisboa (AML) e Concelhos Limítrofes (CL).

Ao nível da busca e resgate de sobreviventes em ambiente de catástrofe está em fase de desenvolvimento um equipamento denominado FINDER, através do Department of Homeland Security’s Science and Technology Directorate (S&T) e do National Aeronautics Space Administration’s Jet Propulsion Laboratory (JPL), destinado a detetar um batimento cardíaco humano a uma distância de 30 pés (9,14 m) no caso de soterramento com destroços, a 20 pés (6,1 m) no caso de betão solidificado e a 100 metros em campo aberto. Procura-se ainda resolver a questão dos ruídos de fundo originados pelos destroços no caso de furações e sismos, os quais são difíceis de isolar relativamente aos batimentos cardíacos.

Aponta-se a Primavera de 2014, como sendo a data previsível de lançamento deste esquipamento no mercado. Num futuro próximo pretende-se que o mesmo além de determinar a presença da vítima nos escombros, forneça dados relativamente à sua localização exata.

Gomes Lopes
 
______________________
 
[1] Relativamente a este período merece especial relevo o relatório do CRED (Annual Disaster Statistical Review 2012), sendo também bastante explícita uma infografia do jornal Público, denominada Mapa das Catástrofes.http://www.munichre.com/publications/302-07805_en.pdf .
 
[2]“As pessoas que vivem no Delta do Ganges e na baixa de Manhattan partilham os riscos de inundações associados ao aumento do nível das águas. Não partilham as mesmas vulnerabilidades. Eis a razão: o Delta do Ganges é marcado por níveis de pobreza elevados e por baixos níveis de proteção de infraestruturas. Quando os ciclones tropicais e inundações atingem Manila, nas Filipinas, expõem a cidade inteira aos riscos. No entanto, as vulnerabilidades concentram-se nas habitações provisórias, com excesso de pessoas, das zonas degradadas que se estendem ao longo das margens do rio Pasig e não nas zonas mais abastecidas.” Relatório de Desenvolvimento Humano 2007/2008 – PNUD, Almedina, Coimbra, 2007, p. 78 e ss.
 
[3]Sobre esta questão é de realçar o artigo Bilan des pertes liées aux catastrophes naturelles.
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