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Segurança

Prevenção do extremismo violento

islradicDesta vez o alvo de mais um atentado terrorista foi Jacarta, capital da Indonésia, um Estado arquipelágico predominantemente muçulmano. Este ato terá sido levado a cabo pelo grupo extremista sunita Daesh (Estado islâmico) através de “soldados do Califado na Indonésia”, visando “estrangeiros e forças de segurança que tinham a responsabilidade de os proteger na capital da Indonésia”.

Não existe uma definição exata para o extremismo violento, não se trata de um fenómeno novo, nem exclusivo de um zona específica do globo, nacionalidade ou crença religiosa. Contudo, desde há algum tempo a esta parte, têm-se evidenciado, neste domínio, alguns grupos, nomeadamente o Daesh, a Al-Qaeda e o Boko Haram, os quais têm como denominador comum a intolerância cultural, religiosa e social. Põem em causa valores como a paz, a justiça, a dignidade humana, através dos atentados que vão cometendo (v.g. Paris), da utilização massiva das redes sociais para transmitir a sua mensagem e atrair seguidores, e da ocupação de territórios com recurso à violência que está na génese da crise humanitária dos refugiados de consequências imprevisíveis, além de se aproveitar de algumas fragilidades da sociedade atual e da franja de jovens marginalizados que foi gerando.

No âmbito da Estratégia Antiterrorista das Nações Unidas, foi aprovado, em dezembro passado, um Plano de Ação para a Prevenção do Extremismo Violento, no qual se começa por analisar as consequências do fenómeno ao nível da paz e da segurança, do desenvolvimento, dos direitos humanos e do estado de direito, e da ação humanitária. De seguida, o documento incide nos fatores que podem potenciar o extremismo violento, nomeadamente a falta de perspetivas socioeconómicas, a marginalização e discriminação, as violações dos direitos humanos, a postura incorreta de alguns governos (v.g. violação dos direitos humanos e do estado de direito, corrupção), a conflitualidade prolongada e a radicalização.

Por fim, este plano estabelece um programa de ação, num quadro mundial, nacional e regional de molde a levar em conta as diversas especificidades, preconizando várias medidas concretas, tais como a aposta no diálogo e prevenção de conflitos, o reforço da ação dos governos tendo como lastro o respeito pelos direitos humanos e pelo estado de direito, a mobilização atempada de recursos (para obstar ao aproveitamento extremista de fatores políticos, sociais e económicos), a colaboração com as comunidades locais, a capacitação e mobilização dos jovens, a defesa da igualdade entre homens e mulheres e da autonomização destas últimas, a aposta no acesso à educação e reforço das competências para aceder ao mercado de emprego, a implementação de uma estratégia de comunicação que abranja a internet e logo as redes sociais.

Resta referir que se trata de um plano abrangente que visa uma atuação nos diversos patamares do fenómeno e que só funcionará se existir uma ação concertada.

Sousa dos Santos

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