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Saúde, Segurança

Vírus do Nilo Ocidental

A região da Andaluzia está a ser afetada por um surto de vírus do Nilo Ocidental (VNO) que segundo o ABC já atingiu Sevilha. Esta cidade espanhola dista cerca de 150 Km de Vila Real de Santo António. Neste momento existem 45 casos declarados e dois mortos registados.

De acordo com a Direção Geral de Saúde (DGS), o VNO transmitido pelo mosquito Culex spp. pertence à família dos Flaviviridae (género Flavivirus). Serologicamente é um membro do complexo antigénico vírico da encefalite Japonesa, que inclui também os vírus das encefalites St. Louis, Kunjin e Murray Valley. O VNO  foi isolado pela primeira vez em 1937, na província do Nilo ocidental, Uganda. Têm sido registados surtos epidémicos em humanos e equinos em regiões da África, Sul da Europa, América do Norte e Ásia.

Pensa-se que a mortalidade em várias espécies de aves possa estar associada à atividade do VNO. Os técnicos de saúde pública têm utilizado esta informação, sobretudo no que se refere a espécies da família Corvidae, para estudarem a distribuição geográfica do VNO. O vírus do Nilo Ocidental tem sido transmitido principalmente através do mosquito Culex spp. No entanto, o facto de ser detectado a presença do vírus num mosquito não o torna necessariamente um vetor competente.

O VNO é amplificado durante os períodos em que as fêmeas adultas, necessitam de se alimentar de sangue para efetuar as suas posturas. Desenvolve-se assim um ciclo de transmissão contínua do VNO entre mosquitos vetores e aves hospedeiras que constituem reservatórios do vírus. Os mosquitos infetados transportam o vírus nas glândulas salivares e infetam as aves mais suscetíveis durante a refeição de sangue. As aves reservatório competentes conservarão a virémia infeciosa (vírus circulando na corrente sanguínea) durante um período de 1-4 dias após a exposição, após o qual estes hospedeiros desenvolverão imunidade de longo prazo.

É necessário que um número suficiente de vetores se alimente num hospedeiro infetado para assegurar que alguns sobrevivam até se alimentarem novamente noutro hospedeiro reservatório suscetível. Humanos, equinos, e a maioria dos outros mamíferos não desenvolvem a virémia infeciosa com frequência e muito provavelmente são hospedeiros finais ou acidentais. A doença não se transmite diretamente de humano a humano, mas de mosquito – ave – mosquito – humano. Muitos fatores ambientais podem afetar o ciclo de amplificação viral, p. ex., as condições meteorológicas, tipo de hospedeiro, o seu estado imunológico, os predadores de vetores, parasitas.

Em cerca de 80% dos casos de infeção as pessoas apresentam poucos ou nenhuns sintomas. Cerca de 20% das pessoas desenvolve febre, dores de cabeça, vómitos ou erupções cutâneas. Em menos de 1% dos casos ocorre encefalite ou meningite, às quais estão associadas rigidez da nuca, confusão ou crises epiléticas. A recuperação da doença pode levar semanas ou meses. Nos casos graves em que o sistema nervoso é afetado o risco de morte é de cerca de 10%.

Este surto não poderá deixar de nos preocupar tendo em conta a proximidade geográfica com uma parte considerável do território nacional. De acordo com os últimos dados, em Portugal, na zona de Castelo de Branco, há a registar um cavalo contaminado. Em 2019, foram notificados três casos de cavalos doentes na região do Algarve e não houve nenhuma pessoa infetada.

Pedro Murta Castro

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