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Catástrofes, Proteção Civil, Segurança

A Terra tremeu – dúvidas que persistem

1.Os fortes sismos que atingiram recentemente a Venezuela recordam-nos, da pior forma, a capacidade destrutiva da natureza. As estimativas do Serviço Geológico dos Estados Unidos apontam para a possibilidade de milhares de vítimas, num cenário de devastação humana e material particularmente grave para um país que já enfrenta inúmeras dificuldades.

2.Os sismos constituem um fenómeno natural imprevisível e de consequências potencialmente catastróficas. Apesar dos avanços científicos permitirem identificar zonas de maior risco sísmico e melhorar os sistemas de monitorização, continua a não ser possível prever com exatidão o momento, o local e a magnitude de um terramoto. A prevenção e a preparação das populações continuam, por isso, a ser as melhores ferramentas para reduzir os seus impactos.

3.Portugal conhece bem esta realidade. O terramoto de 1755, que destruiu grande parte de Lisboa, permanece como um dos acontecimentos mais marcantes da nossa História, tal como o sismo de 1969 veio recordar, mais uma vez, que o risco sísmico continua presente.

4.Embora existam atualmente regulamentos de construção mais exigentes, planos de emergência e uma Proteção Civil mais estruturada, é legítimo questionar se estaríamos verdadeiramente preparados para enfrentar um sismo de grande magnitude.

5.Como se referiu em 2023, a propósito do sismo que atingiu Istambul, os nossos níveis de otimismo quanto à capacidade de resposta a uma catástrofe desta natureza não eram particularmente elevados. As dúvidas então expressas saíram, entretanto, reforçadas pela resposta inicial à tempestade Kristin. Mantemos, por isso, as considerações produzidas na altura, que continuam, infelizmente, a revelar-se de inteira atualidade.

6.A reação não dependeria apenas dos meios disponíveis, mas também do grau de preparação dos cidadãos, da realização regular de exercícios de prevenção e da capacidade coletiva de reagir com serenidade e eficácia, sobretudo num mundo cada vez mais urbanizado, onde uma parte significativa da população vive concentrada em grandes centros urbanos.

7.Neste momento de enorme sofrimento, é importante manifestar a nossa solidariedade para com o povo venezuelano, já tão duramente atingido por crises económicas, sociais e políticas. Que encontre a força necessária para ultrapassar mais esta provação, contando com o apoio da comunidade internacional e com a esperança de um futuro mais seguro e mais digno.

Pedro Murta Castro

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