
A recentes operações da Guarda Nacional Republicana (GNR) e da Polícia Judiciária (PJ) demonstram a crescente utilização da costa portuguesa para a introdução de grandes quantidades de droga na Europa. A PJ apreendeu mais de duas toneladas de cocaína transportadas por via marítima. Por sua vez, a GNR desenvolveu uma operação que permitiu identificar e desmantelar uma rede alegadamente responsável pela construção, equipamento, transporte e colocação na água, no estuário do rio Sado, de embarcações de alta velocidade.
Estes resultados confirmam que o combate ao narcotráfico não pode limitar-se à interceção das embarcações ou à apreensão do produto. É indispensável desmantelar toda a estrutura de apoio em terra: fornecedores de combustível, locais de armazenamento, meios de transporte, comunicações, financiamento e branqueamento dos lucros.
A atuação da GNR e da PJ evidencia a importância da investigação criminal, da vigilância costeira, da partilha de informações e da cooperação nacional e internacional. Perante organizações altamente profissionalizadas, flexíveis e dotadas de elevados recursos financeiros, apenas uma resposta integrada permitirá atingir não apenas os carregamentos, mas também os dirigentes, os patrimónios e as redes logísticas que sustentam este negócio criminoso.
Portugal não pode permitir que a sua extensa costa se transforme numa porta de entrada[1] privilegiada do narcotráfico na Europa.
Sousa dos Santos
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[1] Alguns artigos publicados sobre esta temática:
- O desafio dos narcossubmarinos 26/01/2026
- Relatório anual (2026) – United Nations Office on Drugs and Crime (UNODC) e outros breves considerandos 26/06/2026
- Relatório Europeu sobre Drogas – 2025 06/06/2025
- Portugal – porta de entrada 04/01/2024
- Os portos e a droga 19/01/2023

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