
A operação “Tranca Segura”, que levou à detenção de 20 pessoas suspeitas de abastecerem de droga os estabelecimentos prisionais da Guarda, Viseu, Coimbra e Lamego, é altamente demonstrativa da capacidade de adaptação das redes criminosas e da sua infiltração nestes locais. Cocaína escondida num rolo de carne, haxixe transportado no interior do corpo e drogas sintéticas impregnadas em supostas mensagens de crianças mostram até onde vai a criatividade quando estão em causa “negócios” altamente lucrativos.
Trata-se de um problema antigo, já em 2002, Anália Cardoso Torres e Maria do Carmo Gomes, publicaram um livro intitulado Drogas e Prisões em Portugal, onde se analisa a circulação, o consumo de estupefacientes e a forte correlação entre o tráfico e a população reclusa no país. Em finais do ano passado foi detido em Portugal um dos maiores traficantes de droga do Brasil com ligações ao PCC. Mais recentemente, o Sindicato Independente do Corpo da Guarda Prisional alertou para a presença de gangues ligados ao tráfico de estupefacientes nas prisões[1].
Nesta operação da Polícia Judiciária, em articulação com o Corpo da Guarda Prisional e as direções dos estabelecimentos, ficou demonstrado igualmente a importância da cooperação entre instituições.
Contudo permanece uma questão essencial: se a droga continua a entrar nas prisões por métodos cada vez mais sofisticados, é indispensável reforçar não apenas a investigação, mas também os mecanismos de prevenção, deteção e controlo à entrada dos estabelecimentos prisionais.
É necessário criar obstáculos e desincentivar esta atividade.
Uma prisão deve servir para cumprir penas e promover a reinserção. Nunca para permitir que o crime organizado continue a fazer “negócios” a partir do seu interior.
L.M.Cabeço
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[1] – sobre esta temática: O sistema prisional e as estruturas criminosas.

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