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Segurança

Franchising terrorista

Resultado de imagem para ataque a centro comercial em munique daeshOs últimos dias ficaram marcados por diversas manifestações de “loucura terrorista”, que mais uma vez vieram demonstrar a dificuldade em prever e prevenir este tipo de atos.

No caso de Nice, Lahouaiej-Bouhlel, o autor do atentado, socorreu-se de um meio não convencional, um veículo pesado de mercadorias, com o qual irrompeu pela multidão em plena celebração do 14 de julho, uma data recheada de simbolismo para os franceses, provocando a morte e o sofrimento. O Daesh apressou-se a reivindicar o atentado. Este tunisino foi radicalizado a uma velocidade estonteante, fumava e bebia, comia porco, duvida-se que alguma vez tenha entrado numa mesquita, apresentava problemas psicológicos desde 2005 (com perfil psicótico), não tinha cadastro na polícia nem nos secretos devido a ligações a organizações terroristas, posteriormente no seu computador pessoal vieram a ser encontradas imagens relativas ao radicalismo islâmico e outras pesquisas associadas a esta temática.

Também a Alemanha que rejeita a suspeita generalizada sobre os refugiados, não está imune a este flagelo. Desde logo, há a registar um atentado perpetrado à machadada e à facada num comboio por um jovem afegão requerente de asilo enquanto gritava “Deus é grande”, resultando daí vários feridos. Mais uma vez o Daesh apressou-se a reivindicar a autoria deste evento. Ainda os alemães não se tinham recomposto e já David Sonboly, um jovem de origem iraniana com graves problemas psicológicos, ceifava vidas num centro comercial de Munique, empunhando uma arma adquirida na dark net. Ao que consta tinha um certo fascínio por tiroteios e atiradores solitários, seguindo as pisadas de Tim Kretschmer, um jovem de 17 anos que em 2009 matou 15 pessoas, bem como de Anders Breivik, o neonazi norueguês que em 2011 levou a cabo um massacre de onde resultou a morte de 77 pessoas. Desta feita, o Daesh embora não tenha assumido o ataque ficou feliz com resultado final. Mais recentemente, na cidade alemã de Ansbach à porta de um festival, um refugiado sírio de 27 anos, com problemas psiquiátricos, fez-se explodir depois de ter jurado fidelidade ao Daesh, provocando ferimentos em 15 pessoas. Enquanto escrevia estas linhas, agindo em nome do Daesh, dois atacantes, armados com facas, entraram numa igreja de uma pacata vila da Normandia, onde se barricaram com cinco reféns, acabaram por matar o pároco local com 86 anos, sendo mortos pelas autoridades.Wook.pt - A Armadilha Daesh

No sentido de incrementar esta espécie de “franchising terrorista”,  o Daesh publicou um manual contendo diversas técnicas terroristas  direcionadas sobretudo para os próximos Jogos Olímpicos que decorrerão no Rio de Janeiro. Por sua vez, o último relatório anual da Europol sobre a situação e tendência do terrorismo na União Europeia, alerta para a existência durante o ano passado de diversas ameaças do Daesh em relação à Península Ibérica. Neste domínio, é de salientar que finalmente o Conselho de Ministros aprovou a regulamentação da organização e funcionamento da Unidade de Coordenação Antiterrorismo (UCAT), coordenada pela Secretária-Geral do Sistema de Segurança Interna, onde se agilizam procedimentos, suprimem sobreposições e redundâncias, visando garantir maior eficiência e eficácia na cooperação, coordenação e articulação entre as forças e serviços que integram a UCAT. Além disso, uma das forças de segurança, a Polícia de Segurança Pública, já anunciou que irá avançar com novas soluções durante o verão, sobretudo nos espaços em que haja grandes concentrações de pessoas, nomeadamente nos festivais, para desta forma prevenir este tipo de criminalidade e ao mesmo tempo minimizar os efeitos de uma ocorrência desta natureza. Em relação aos aeroportos foi alargado o sistema RAPID (Sistema de Reconhecimento Automático de Passageiros Identificados Documentalmente) mais nove países (Estados Unidos da América, Canadá, Austrália, Brasil, Venezuela, Japão, Coreia do Sul, Singapura e Nova Zelândia). Este sistema que efetua automaticamente os procedimentos de controlo de fronteira, sem necessidade de operadores, até agora abrangia apenas os cidadãos nacionais e os da União Europeia.

André Ventura, defende que “este terrorismo individualizado e desorganizado levanta sérios problemas à integração das comunidades islâmicas na Europa. Não havendo um processo de radicalização ou de adesão doutrinária, qualquer um, de raízes muçulmanas ou convertido, se torna uma potencial ameaça”. Para contrariar esta tendência considera que o caminho passa pela redução drástica da “presença e da dimensão das comunidades islâmicas dentro da União Europeia. Não é só uma questão de segurança, mas de sobrevivência da nossa democracia”. Luciano Amaral, por seu turno, refere que uma parte da população europeia de origem muçulmana que se acha desenraizada está disposta a seguir as vagas instruções violentas dadas por uma organização radical, uma revolta dos humilhados e ofendidos que se empilham nas periferias das cidades europeias.

Wook.pt - A Europa à DerivaEm suma, poder-se-á dizer que os acontecimentos atrás relatados têm como características comuns o facto de serem perpetrados por refugiados provenientes de zonas fustigadas pelo radicalismo islâmico, ou por cidadãos de origem muçulmana residentes na Europa, com distúrbios mentais, que recorrem à internet para se inspirarem e munirem dos equipamentos necessários, e ao mesmo tempo utilizam, além de armas de fogo e explosivos, meios não convencionais (camião em Nice, machado e faca na Alemanha), procuram grandes aglomerados para gerar alarido, atuando num “sistema franchisado” .

Estamos assim perante uma mistura explosiva encimada pela insanidade mental, aliás de acordo com a Direção Geral de Saúde ”os distúrbios psiquiátricos e os problemas de saúde mental relacionados com a saúde em geral tornaram-se a principal causa de incapacidade para a atividade produtiva e uma das principais causas de morbilidade e morte prematura em todo o mundo”, esta questão tem interligação com as redes sociais como refere Pedro Afonso numa entrevista dada ao jornal Público, a propósito do lançamento da sua obra “Quando a Mente Adoece”, um mundo onde se pratica “uma comunicação pouco espessa”, numa incessante busca da autovalorização associada a uma necessidade exibicionista de atenção e admiração, “uma fábrica de ilusões”. Mas, ao que se junta a dificuldade de integração dos que foram chegando ao longo dos anos de forma quase impercetível (os subúrbios das grandes cidades europeias são a prova disso) e daqueles que desembocaram na Europa numa vaga torrencial fugindo da guerra e das suas consequências, o que tem vindo a gerar reações diferentes, nalguns casos originando medo, horror e ódio.

Estes sentimentos, à semelhança do que aconteceu no passado, podem servir de lastro às “franjas extremistas” catapultando-as para o poder através da conquista dos cidadãos incautos, imersos num complicado caldo social e por isso alvos fáceis de uma propaganda xenófoba. Logo, tem de se apostar na resolução dos problemas na sua origem, num controlo efetivo das entradas da União Europeia e quem aceder a este espaço, ou já aí esteja, tem de aceitar as regras em vigor, integrando-se e sendo ajudado a integrar-se.

Como afirmou Francisco Moita Flores, é “tempo de perceber como se gera a cultura do ódio. Para que se possam abrir caminhos de paz”.

J.M.Ferreira

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