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Catástrofes, Saúde, Segurança

Vicissitudes pandémicas

1 . Na luta contra o novo coronavírus, a diversos níveis começa-se a abrir uma janela ao fundo do túnel. Há dados que apontam para o aparecimento de antivirais eficaz no espaço de três a seis meses. Relativamente à vacina, classificada como o “virador do jogo”, os testes em humanos já começaram sendo os resultados bastante promissores. A este propósito, a RTP3 exibiu, ontem, um excelente documentário japonês, onde reputados especialistas nipónicos apresentaram diversas soluções (v.g. medicamentos, comportamentos) para lidar com este problema. Por cá, na habitual conferência de imprensa diária, onde os números transmitidos deixam um sinal de esperança, a Ministra da Saúde (indo ao encontro da posição dominante) afirmou que face à ausência de efeitos adversos no uso de máscara, pode ser considerada a sua utilização por qualquer pessoa em espaços interiores fechados e com elevado número de pessoas[1]”. É caso para dizer que “mais vale tarde do que nunca”.

2 . Apesar de sermos classificados pelos espanhóis como os “suecos do sul”, continuam a ser relatados episódios deveras constrangedores. No norte do país, a zona mais afetada pela pandemia, ontem diversas pessoas violaram as medidas de proteção participando em cerimónia religiosa improvisada beijando a cruz, tendo os promotores do evento sido posteriormente identificados pela Guarda Nacional Republicana. No Seixal, um respeitável cidadão que conduzia sob o efeito do álcool e sem estar habilitado para o efeito, cuspiu na direção de dois agentes da Polícia de Segurança Pública. Mas não estamos isolados nestes comportamentos, porque em França (país fortemente atingido pela pandemia) a polícia parisiense viu-se obrigada a intervir para acabar uma missa clandestina de Páscoa. Esperamos que estas atitudes irresponsáveis e outras que foram relatadas nesta quadra, não tenham reflexos negativos nos próximos dias  aumentando o número de infetados e pondo em causa o esforço que tem vindo a ser feito, numa altura em que todos ansiamos por uma reabertura, nem que seja controlada.

3 . Por fim, mercê da atual conjuntura económica, algumas entidades começaram a cancelar contratos de prestação de serviços  celebrados com empresas de segurança privada. É um relato inquietante, na medida em que pode lançar no desemprego muitos profissionais deste sector. Além disso, como a segurança privada tem uma função subsidiária e complementar da atividade das forças e serviços de segurança pública do Estado, desempenhando um papel de extrema importância no domínio da prevenção criminal, receio que isto constitua uma janela de oportunidade para a prática de ilícitos criminais, sobretudo dos crimes contra o património (v.g. danos, furtos, roubo). Acresce que foi recentemente publicado um diploma que flexibiliza a execução das penas, restituindo à liberdade, por razões humanitárias, muitos reclusos, alguns deles condenados por este tipo de crimes e relativamente aos quais a pena aplicada pode não ter cumprido o efeito pedagógico e ressocializador, não estando, assim, aptos a reintegrarem-se na sociedade.

Manuel Gomes

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[1] Informação n.º 009/2020 da DGS – Uso de Máscaras na Comunidade.

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