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Ambiente, Catástrofes, Proteção Civil, Segurança

Incêndios – seminário

I

A equipa de Domingos Xavier Viegas irá promover um Seminário, aberto ao público em geral, para analisar os acontecimentos relacionados com o complexo de incêndios de Pedrógão Grande e concelhos limítrofes, iniciado a 17 de junho de 2017. O evento terá lugar no dia 07 de dezembro de 2017, na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, Pólo 2, Rua Sílvio Lima, Pólo II da Universidade de Coimbra. As inscrições deverão ser feitas preferencialmente até ao dia 4 de dezembro e estão limitadas à capacidade da sala.

II

Este especialista, publicou recentemente um ensaio no Público, onde sublinha que “o problema dos incêndios Resultado de imagem para incêndios de pedrogãoflorestais está longe de ser um problema de espécies florestais ou de mera gestão de espaços. No nosso país é, antes de mais, um problema de pessoas. Infelizmente estas estão colocadas, ostensivamente, fora do sistema”.

Começa por referir que o “nunca mais” tem de ser levado mesmo a sério e que estas catástrofe resultam de uma “falha coletiva”. Depois, frisa que não bastam sentimentos, é preciso passar à ação[1]. Defende, tal como já o fez anteriormente que considera inadequado um sistema de defesa da floresta contra os incêndios (SNDCIF) assente em três pilares: Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e Guarda Nacional Republicana (GNR). Isto, porque falta um quarto pilar: a “População” (a sociedade em geral).

A ANPC está fragilizada, o ICNF “tem-se mostrado frouxo desde há vários anos, com uma desfocagem e afastamento crescentes, relativamente o problema dos incêndios florestais”. Relativamente à GNR, devido à “excelente liderança e organização de que dispõe, tem-se mostrado ser o pilar mais consistente e com um leque de funções mais diversificado no dispositivo”. No que concerne ao “quarto pilar” está tudo por fazer não se vislumbrando “uma única medida de fundo destinada a envolver a população, a apoiar as pessoas, a contribuir para melhorar a sua situação, as suas condições de vida e a sua segurança e para as preparar melhor para enfrentar estas situações”[2].

Termina o citado ensaio, analisando o conjunto de medidas que saíram do Conselho de Ministros de 21 outubro, nomeadamente:

  • A aproximação entre a prevenção e o combate aos incêndios rurais;
  • O reforço do profissionalismo em todo o sistema;
  • A intervenção da Força Aérea na gestão e operação dos meios aéreos;
  • A expansão das companhias dos GIPS da GNR;
  • O reforço da capacitação e do profissionalismo entre os bombeiros voluntários;
  • A especialização progressiva.
III

No Expresso do último fim de semana, levanta-se a questão do “capítulo oculto” do Relatório sobre o “Grande Incêndio Florestal de Pedrógão Grande e concelhos limítrofes (2017)” elaborado por uma equipa liderada porWook.pt - Incêndios Florestais Domingos Xavier Viegas, onde se mostra como morreram as vítimas do fatídico 17 de junho através de mapas, relatos e fotografias.

O capítulo, considerado o mais importante do relatório, denomina-se “oculto” porque ainda não foi divulgado publicamente, primeiro porque se pretendia preservar a privacidade das vítimas e agora porque se aguarda um parecer da Comissão Nacional de Proteção de Dados. Isto apesar de já ter sido enviada uma versão onde não consta o nome das vítimas, e de constar no documento que esta parte será publicada logo que esteja anonimizado.

Um retrato da descoordenação, sofrimento e falta de socorro que ainda não está ao alcance do público em geral, o que vem por em causa a transparência que deve existir nesta matéria e que pode permitir alguma analogia com o “embaciamento” de informação que se estabeleceu em redor das cheias de 1967.

IV

Daí que o seminário atrás referido se revista de extrema importância para analisar e compreender o que ocorreu em Pedrogão Grande. Relativamente ao capítulo “oculto” estão previstas duas horas para analisar a temática dos acidentes pessoais, comprometendo-se Xavier Viegas a relatar o que foi investigado e se tiver autorização dos familiares citará nomes concretos.

Manuel Ferreira dos Santos

_______________________

[1] Daí que o Secretário de Estado das Florestas tenha afirmado numa entrevista ao Expresso de 18/11/2017 que “o país precisou de um choque para perceber o que era preciso fazer”, mas avisando que têm de se estabelecer prioridades porque não há dinheiro para tudo.

[2] Acerca desta questão, é de realçar um artigo sobre Helena Freitas, ex-coordenadora da Unidade de Missão para a Valorização do Interior, no Expresso de 18/11/2017.

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