está a ler...
Defesa, Forças Armadas, Relações Internacionais, Segurança, Sinistralidade Rodoviária

Sinais preocupantes

Tal como referimos ontem, vão-se sentindo alguns sintomas de crispação, ou mesmo de belicismo, com uma relativa analogia em relação à época da “Guerra Fria”, só que neste momento os Estados Unidos não aceitam ser o “polícia do mundo”. Também o Japão, em consonância com esta linha, encetou um processo de transformação dos porta-helicópteros Izumo e Kaga em porta-aviões, tendo adquirido 42 caças furtivos F-35Bs aos Estados Unidos. Isto corresponde à “Estratégia de Segurança Nacional” iniciada em 2013, e que reflete um conjunto de preocupações,nomeadamente o aumento da tensão com Pequim. Pois, a China está a tentar mudar o statu quo estratégico, “nos céus e nos mares da China do Sul e da China Oriental” e a promover “ações perigosas”.

Por cá, depois de uma “travagem a fundo” no projeto soldado do futuro” inserido no programa Sistemas de Combate do Soldado, ao que consta a Força Aérea tem um helicóptero EH-101 parado há ano e meio, devido à falta de pagamento da reparação que ascende a seis milhões de euros. Uma das principais missões destas aeronaves é a busca e salvamento em quaisquer condições de tempo, durante o dia ou à noite. Mais um episódio com helicópteros que se junta ao do acidente de Valongo e a uma notícia sobre a falta de requisitos de duas destas aeronaves ao serviço do INEM.

Terminou a Operação Natal Tranquilo da GNR. Os resultados não são nada animadores. De acordo com os últimos dados disponíveis, ocorreram 1360 acidentes, tendo daí resultado 15 mortos, 29 feridos graves e 449 feridos ligeiros. Esta operação que durou mais um dia em relação a 2017, registou mais 313 acidentes rodoviários, mais oito vítimas mortais, mais cinco feridos graves e mais 112 feridos ligeiros. Para o presidente do Automóvel Clube de Portugal (ACP), Carlos Barbosa, o Governo tem uma quota de responsabilidade nesta situação porque está a “cativar dinheiro” que devia ser canalizado para campanhas de sensibilização rodoviária, as quais não são efetuadas há quatro anos, nem através da Prevenção Rodoviária, nem através da sociedade civil. Além destas campanhas, como fatores preponderantes para este panorama, alude ainda à extinção da Brigada de Trânsito da GNR e à sua fragmentação, ao ensino da condução e aos respetivos exames, a um Código da Estrada desadaptado da realidade e ao estado de degradação em que se encontram muitas vias.

Não se pode continuar a ignorar os sinais de saturação evidenciados pela falta de investimento oportuno, suficiente e qualitativo nas estruturas, meios e recursos humanos, sob pena de a médio prazo apenas restarem ruínas, cuja reabilitação exigirá um esforço incomensuravelmente mais elevado para inverter o declínio e dar satisfação às necessidades sentidas pela comunidade.

Uma alteração de estratégias de onde emergem novos desafios, e um conjunto de sinais que constitui sérios motivos de preocupação.

Sousa dos Santos

Discussão

Ainda sem comentários.

Deixe uma Resposta

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

WOOK

%d bloggers like this: