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Ambiente, Catástrofes, Cibersegurança, Defesa, droga, geopolítica, informações, Inteligência Artificial, Investigação Criminal, Justiça, Proteção Civil, Relações Internacionais, Saúde, Segurança

Dezembro de 2025: um fecho de ano sob o signo da instabilidade

1.O mês de dezembro de 2025 ficou marcado por um clima persistente de tensão e insegurança, em Portugal e no contexto internacional, contrariando a expectativa de abrandamento associada ao final do ano. Ao longo das quatro semanas, consolidou-se a perceção de que muitas das fragilidades observadas não foram conjunturais, mas antes estruturais, atravessando a segurança, a justiça, a saúde e a própria coesão social.

2.Em Portugal, a criminalidade dominou uma parte significativa da agenda mediática e política. Assaltos à mão armada, homicídios, violência doméstica extrema, crimes sexuais e fenómenos associados ao narcotráfico e à criminalidade financeira expuseram vulnerabilidades profundas. As Forças de Segurança denunciaram falta de meios humanos e materiais, enquanto o sistema judicial revelou sinais claros de desgaste, com processos mediáticos, suspeitas de corrupção e críticas recorrentes à morosidade da justiça. A gestão das migrações intensificou o debate público, entre propostas de maior controlo, denúncias de exploração laboral e sinais preocupantes de alguma tensão social.

3.O mês foi igualmente exigente para os serviços públicos. O Serviço Nacional de Saúde enfrentou um inverno particularmente duro, com a entrada em fase epidémica da gripe, aumento de internamentos, excesso de mortalidade em algumas regiões e urgências sobrelotadas. No sistema prisional, greves e falta de recursos agravaram um quadro já frágil. Nas estradas, a quadra natalícia revelou-se especialmente trágica, com dezenas de mortes e um número elevado de detenções por condução sob o efeito do álcool, apesar do reforço da fiscalização.

4.No plano internacional, dezembro de 2025 confirmou a erosão do equilíbrio global. A guerra na Ucrânia continuou a dominar a agenda, com avanços militares, ataques massivos, divisões europeias quanto às respostas estratégicas e sinais contraditórios de possíveis negociações. Em paralelo, agravaram-se tensões no Médio Oriente, em África e na Ásia – Pacífico, acompanhadas por crises humanitárias, atentados, sanções cruzadas e fenómenos de guerra híbrida. Catástrofes ambientais de grande escala, desde cheias devastadoras a eventos meteorológicos extremos, reforçaram a sensação de vulnerabilidade num mundo cada vez mais exposto às consequências das alterações climáticas.

5.Assim, dezembro de 2025 encerrou um ano marcado pela “normalização da exceção”. Entre violência, pressão institucional e instabilidade geopolítica, o mês desenhou um retrato sombrio de um mundo em transição, onde a segurança deixou de ser uma preocupação setorial para se tornar uma questão central da vida coletiva. Ainda assim, mesmo num contexto adverso, permaneceu a aspiração,  quase um ato de resistência,  de que o espírito natalício pudesse reintroduzir humanidade, esperança e a convicção de que a paz continua a ser possível.

Pedro Murta Castro

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