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Catástrofes, Defesa, Forças Armadas, Proteção Civil, Saúde, Segurança

Ondas

I

Desde há algum tempo que Mário Lopes, Professor do Instituto Superior Técnico, vem alertando para a possibilidade de ocorrência de um sismo destrutivo até meados deste século, do qual podem advir danos maiores do que os provocados pelo terramoto de 1755. Por isso, considera que o risco sísmico em Lisboa: “É como estar em cima de um barril de pólvora“.

Mas, o problema pode não se circunscrever a Lisboa, porque à semelhança do que aconteceu em 1755 os efeitos da catástrofe podem fazer-se sentir em pontos distantes como a costa algarvia, o litoral do sul de Espanha e o Norte de África. Nessa altura, as ondas deslocaram-se a uma velocidade entre 300 km/h y 735 km/h, atingindo Huelva, a 236 km de distância, em 30 minutos, tendo as ondas atingido 16 metros no sul de Portugal, Huelva, Cádis e no norte de África, provocando milhares de mortos, danos materiais, alterando a morfologia do terreno e o leito dos rios.

Francisco Arroyo, realizou um documentário ‘La Gran Ola’, com a participação de um painel de especialistas do qual faz parte Mário Lopes, onde é analisado o risco de Portugal e Espanha serem fustigados por um grande tsunami na sequência de um terramoto idêntico ao de 1755, como é que se reagiria a uma catástrofe dessas dimensões e a falta de preparação.

Wook.pt - A Metamorfose do MundoPara fazer face a um evento desta natureza, em Portugal, entre outros instrumentos, existem dois planos: o Plano Especial de Emergência para o Risco Sísmico na Área Metropolitana de Lisboa e Concelhos Limítrofes (PEERS-AML-CL), e o Plano Especial de Emergência de Proteção Civil para o Risco Sísmico e de Tsunamis na Região do Algarve, sendo ainda derealçar o “Estudo de Risco Sísmico e de Tsunamis do Algarve”. Estes documentos constituem instrumentos de suporte ao Sistema de Proteção Civil para a gestão operacional em caso da ocorrência de um evento sísmico nas regiões em apreço, de molde a responder organizadamente aos danos provocados. Para o efeito, é aí definida a estrutura de Coordenação, Direção, Comando e Controlo e regulada a forma como é assegurada a coordenação institucional e a articulação e intervenção das organizações integrantes do Sistema Integrado de Operações de Proteção e Socorro (SIOPS) e de outras entidades públicas ou privadas a envolver nas operações.

Contudo, a existência destes documentos não é suficiente, pois não se pode olvidar o facto de que a qualidade da resposta da proteção civil, num caso real, depende, sobretudo, do grau de preparação dos diferentes atores e da experiência obtida quer em simulações quer em situações reais, trabalhando sobre o lastro e dentro das baias estabelecidas num plano de emergência de proteção civil.

II

Uma outra onda atingiu Portugal, a da hepatite A. Ao que parece, devido a  comportamentos associados ao “chemsex”, ou seja, “atividade sexual potenciada por substâncias químicas, podendo envolver múltiplos parceiros”. Neste tipo de prática, os homens tomam substâncias químicas para que as ereções se mantenham por muito tempo e têm relações com uma série parceiros ao longo de vários dias. Ao que consta, desde janeiro deste ano foram detetados mais de 100 casos na região de Lisboa e Vale do Tejo e em Coimbra, um número que suplanta os casos contabilizados nos últimos 40 anos no país, tendo sido emitida uma avaliação de risco emitida pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC).

Este vírus espalha-se através do contacto direto ou indireto com material fecal e encontra-se nas fezes dos infetados, estando as autoridades europeias a aconselhar a vacinação entre os membros da comunidade gay, bem como medidas de higiene pessoal, familiar e doméstica, com particular ênfase na lavagem das mãos. Convém frisar que o consumo de drogas relacionado com esta prática provoca transtornos físicos (neurológicos cardiovasculares, respiratórios), psiquiátricos (paranóia, delírios, ansiedade, angústia, depressão) psicológicos (alterações da memória, aprendizagem, vergonha, sentimento de culpa), influencia de forma negativa o relacionamento social em geral e o familiar em particular.

III

Mas, também, a dinâmica associada ao último curso de Comandos não para de inundar a imprensa. Desta feita, o comandante da companhia de instrução foi constituído arguido e interrogado sobre os incidentes ocorridos no curso, ao que consta, segundo o seu ponto de vista, os instruendos do grupo de graduados, em termos físicos, “era constituído por instruendos na sua generalidade de médio e baixo nível“. Apesar de tudo, veio-se agora a saber que para o próximo curso aparecerem cerca de 100 voluntários, os quais estarão a prestar provas. Esperamos que as vidas perdidas, o sangue derramado e o sofrimento dos militares do 127.º curso de Comandos, tenham contribuídoWook.pt - Forças Armadas em Portugal para evitar situações análogas no futuro. Mas por outro lado, também se espera que a polémica em torno deste curso não faça descer o nível que se exige para uma força especial desta natureza a um patamar que não prepare os instruendos para o tipo de missões que lhe são atribuídas nos teatros de operações onde poderão vir a ser empregues.

Por fim, e ainda no domínio da defesa, um pouco por essa Europa fora, começa-se a equacionar o regresso do serviço militar obrigatório (SMO). Para contornar este problema, o governo sueco anunciou recentemente que vai restabelecer o serviço militar obrigatório, sete anos depois de o ter abolido, ultrapassando a falta de soldados e fazendo face à falta de segurança na região, devido às tensões com a Rússia. Em França é tema de campanha eleitoral. Na Alemanha também se levantou a questão. Por cá, os defensores do “politicamente correto” consideram que o SMO “não é adequado ao atual modelo organizacional das Forças Armadas”, passando a alternativa pela formação e certificação dos militares, o que deverá ser conjugado com um alargamento dos prazos de contrato.

Contudo, o general Loureiro dos Santos defende o SMO, nem que seja com a duração mínima de quatro meses para que os recrutas se habituem “a ser pontuais, a falar verdade… a fazer o que faz parte do comportamento normal do cidadão.” João Diogo Stoffel, num artigo do Jornal Económico, escreveu que “voltar a criar um sistema de serviço militar ou cívico obrigatório seria um excelente contributo para reforçar o sentimento de segurança nacional e fortalecer o sentido de responsabilidade e de dever dos cidadãos por Portugal”. Em Israel, país onde os jovens cumprem o serviço militar aos 18 anos, a passagem pelas fileiras é considerada extremamente importante em termos de criação de redes de relacionamento, de aquisição e intercâmbio de conhecimento, havendo quem considere que esta seja a chave do sucesso em determinadas áreas das tecnologias de ponta.

Mais tarde ou mais cedo, também vamos ter que refletir sobre esta temática, de uma forma séria, profunda e sem preconceitos.

J.M.Ferreira

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