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Ambiente, Catástrofes, droga, forças de segurança, Investigação Criminal, Justiça, PJ, Proteção Civil, Segurança

Lições e alertas

1. Embora ainda se esteja no inverno, os incêndios estão na ordem do dia. Na ilha da Madeira mantém-se ativo um incêndio há cerca de 24 horas. Para tal, têm contribuído as temperaturas elevadas (nalguns casos 28ºC), o vento forte que sopra do norte de África e a humidade reduzida.Incêndios - período crítico

No continente, ainda no rescaldo dos incêndios de 2019, foi publicado pelo Observatório Técnico Independente, o relatório de avaliação do incêndio de Vila de Rei – Mação, onde se divulgam as condições do incêndio, o incêndio propriamente dito (combate, rescaldo e a segurança das populações), a recuperação, bem como um acervo de lições aprendidas.

Nestas, é de salientar a questão da utilização atempada dos meios aéreos, a formação e capacidade de atuação dos elementos que integram o comando operacional, as falhas na transmissão da informação e da estratégia, e a intervenção em período noturno.

Esperamos que estas lições sejam devidamente dissecadas e levadas em linha de conta pelos diversos intervenientes, de molde a que numa altura em que o paradigma dos incêndios está em mudança, mercê, entre outros fatores, das alterações climáticas (como ainda recentemente se constatou na Austrália) situações desta natureza não se tornem incontroláveis com consequências catastróficas a diversos níveis.

2. O tráfico de droga continua a dar sinais de uma extrema vitalidade. Ainda recentemente foi descoberta uma unidade fabril que se dedicava à construção de “lanchas voadoras”. Agora, uma embarcação foi detetada a efetuar uma descarga de fardos de haxixe na costa algarvia, no âmbito de uma operação conjunta da Unidade de Controlo Costeiro da GNR e da Polícia Judiciária. Por sua vez, foi também divulgado que em Sines, a Autoridade Tributária e Aduaneira apreendeu quase meia tonelada de cocaína.

Estas apreensões juntam-se a outras que têm vindo a ser efetuadas um pouco por todo país. O que pode ter diversas leituras. Por um lado, espelham o trabalho de prevenção e repressão levado a cabo pelas Forças e Serviços de segurança. Mas por outro, constituem motivo de preocupação, dado que podem indiciar o aumento do consumo interno de estupefacientes e que as medidas de prevenção da toxicodependência não estarão a atingir os objetivos. Finalmente, dão ainda sintomas de que Portugal se está a transformar numa placa giratória deste tipo de tráfico, uma das atividades mais lucrativas do crime organizado, cujos tentáculos, não muito raramente, têm ligações ao tráfico de armas e ao terrorismo, socorrendo-se ainda da corrupção e do branqueamento de capitais.

3. Tal como mencionámos oportunamente, foi nomeado e empossado como Diretor Nacional da Polícia de Segurança Pública, o Superintendente-Chefe Manuel Augusto Magina da Silva.

De tudo o que foi publicado na imprensa registei com agrado diversas afirmações. De entre elas, sobressai a seguinte: “responsabilizar os agentes que tenham comportamentos discriminatórios e extremistas, e defender os bons polícias que, muitas vezes, são injustamente atacados na praça pública”.

É exatamente nesta última vertente que se falha: “a defesa dos bons polícias”. Os responsáveis máximos das Forças e Serviços de Segurança têm um papel fulcral neste campo, bem como na transmissão atempadas dos problemas das organizações à tutela, mostrando interesse em resolvê-los. Nunca se deve deixar transparecer a sensação que se deposita a esperança numa espécie de mão invisível recheada de soluções, o que permitirá, mais cedo ou mais tarde, a entrada em cena de atores pouco recomendáveis.

4. Por fim, não poderia deixar passar em claro, a ligeireza com que se recorre às armas brancas para a prática de outros ilícitos. Em Lisboa, à semelhança de outras situações que têm vindo a ser relatadas, uma turista francesa foi ferida com uma faca nas costas quando se encontrava num restaurante de fast-food.

alertámos que apesar de ocuparmos sistematicamente posições de relevo em termos de segurança, se não acautelarmos atempadamente as necessidades de investimentos nas Forças e Serviços de Segurança em recursos humanos, tecnologias, viaturas e noutras áreas conexas podemos deitar isso tudo a perder, o que indubitavelmente terá reflexos no panorama criminal (à semelhança do que sucedeu em Londres) e por arrastamento no nosso posicionamento como destino turístico de luxo.

Entretanto, e na sequência da inação, falta de educação, civismo e outras qualidades inerentes a uma sã vivência em sociedade, mais um profissional de saúde (médico), uma das classes que habitualmente servem de vazadouro às mais variadas frustrações sociais, foi agredido.

L.M.Cabeço

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