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Ambiente, Catástrofes, Ciências Forenses, Cibersegurança, Defesa, droga, Forças Armadas, forças de segurança, geopolítica, informações, Inteligência Artificial, Investigação Criminal, Justiça, Proteção Civil, Relações Internacionais, Saúde, Segurança

Novembro – crises e fragilidades

O mês de novembro de 2025, observado através do Press Center, dá-nos um retrato inquietante de um mundo submetido a pressões múltiplas e convergentes. Num intervalo de apenas quatro semanas, sucederam-se as notícias sobre guerras, fenómenos naturais extremos, redes criminosas sofisticadas, ameaças digitais e sinais de desgaste das instituições. A sensação dominante é a de um planeta em estado de alerta contínuo, onde a fronteira entre o local e o global se esbate a cada nova crise.

Plano internacional

A guerra na Ucrânia continua a ser o epicentro da instabilidade mundial. A intensificação das ofensivas russas, a resposta militar da NATO e a retórica nuclear de grandes potências acentuam a fragilidade da ordem global. Paralelamente, a China reforça a sua presença militar no Indo-Pacífico, alimentando tensões com Taiwan e Japão, enquanto o Médio Oriente e África permanecem marcados por conflitos persistentes, raptos, abusos e operações armadas. O aumento da desinformação, alimentado por tecnologias como a inteligência artificial, amplia as incertezas num contexto já volátil.

Plano interno

Em Portugal, o mês fica marcado por um agravamento das preocupações em torno da segurança interna e da confiança nas instituições. A violência doméstica apresenta números alarmantes, somando vítimas mortais e milhares de ocorrências. Os casos de abusos sexuais, redes de tráfico, agressões graves e esquemas de burla reforçam a perceção de vulnerabilidade. A revelação de crimes envolvendo elementos das Forças de Segurança contribui para a erosão da confiança pública, enquanto polícias, bombeiros e agentes prisionais denunciam exaustão e falta de meios. A Justiça, confrontada com processos complexos, polémicas e julgamentos adiados, enfrenta um escrutínio crescente.

A dimensão ambiental surge como outro eixo de perturbação. Tempestades severas, cheias devastadoras, tornados raros e vulcões em atividade expõem a vulnerabilidade do território perante fenómenos extremos, agravados pelas alterações climáticas. No plano sanitário, voltam ao radar surtos de pneumonia, tuberculose, mpox e gripe aviária, reforçando a necessidade de vigilância num mundo marcado pela mobilidade global.

Apesar do clima de incerteza e insegurança, surgem também sinais de resistência e progresso: operações policiais de grande escala, medidas reforçadas de proteção civil, investimentos nas Forças Armadas e avanços significativos na saúde pública, como a eliminação do sarampo e da rubéola em vários países africanos.

Balanço global

Desta forma, novembro de 2025 expõe um mundo que vive entre o alarme constante e a necessidade urgente de resiliência. A interligação das crises geopolíticas, criminais, ambientais, digitais e institucionais, exige respostas coordenadas, políticas públicas robustas e uma reconstrução da confiança coletiva. Num tempo em que a velocidade dos acontecimentos ultrapassa muitas vezes a nossa capacidade de compreensão, torna-se imperativo reforçar as estruturas que sustentam a vida democrática e a segurança das comunidades.

Sousa dos Santos

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