1.A semana de 5 a 11 de janeiro de 2026 [1] ficou marcada por um clima de forte instabilidade internacional e por sinais preocupantes de fragilidade interna em Portugal, num início de ano dominado por alguma insegurança, pela pressão sobre os serviços públicos e pelo enfraquecimento das regras da ordem global.
2.Como não poderia deixar de ser, a Venezuela esteve no centro da agenda mediática. A captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos desencadeou reações contraditórias, dividindo aliados e adversários e relançando o debate sobre soberania, direito internacional e intervenção externa. Enquanto Washington assume um papel cada vez mais assertivo, motivado por interesses estratégicos e energéticos, alguns países da América Latina e da Europa alertam para precedentes perigosos.
3.Ao mesmo tempo, a ambição declarada de Donald Trump em relação à Gronelândia agravou tensões no Ártico, expondo fissuras na NATO e a dificuldade da União Europeia em afirmar uma posição coesa.
4.A guerra na Ucrânia manteve-se num patamar de elevada violência, com ataques a infraestruturas civis e o uso de armamento avançado, enquanto o Médio Oriente e o Irão viveram dias de escalada repressiva e crise humanitária. Este conjunto de conflitos reforça a perceção de um mundo mais fragmentado, onde o multilateralismo cede espaço à lógica da força e das esferas de influência.
5.Em Portugal, a atualidade foi dominada por uma sucessão de episódios trágicos. A criminalidade violenta, os casos de violência doméstica, homicídios e acidentes rodoviários mortais vão alimentando o sentimento de insegurança. Mereceu particular destaque a crise no sistema de emergência médica, com mortes associadas a atrasos no socorro, falta de ambulâncias e desgaste dos profissionais, expondo fragilidades estruturais do Serviço Nacional de Saúde. Incêndios urbanos, sinistralidade rodoviária elevada e problemas no funcionamento da justiça reforçaram este retrato sombrio.
6.No plano social, cresceram também os alertas sobre fenómenos como o consumo de óxido nitroso e o aumento do crime digital, a par de sinais de cansaço nas Forças de Segurança e de desigualdades persistentes em vários setores do Estado.
7.Estamos perante um início de 2026 tenso e exigente, em que crises globais e problemas domésticos se cruzam. Entre a erosão da ordem internacional e a pressão sobre a segurança e os serviços públicos, impõe-se uma reflexão profunda sobre as respostas políticas necessárias, tanto a nível nacional como europeu, para enfrentar um mundo em rápida e inquietante mutação.
Sousa dos Santos
_________________________

Discussão
Ainda sem comentários.