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Press Center 24-03-2026

24-03-2026

Lisboa acordou sob o som das sirenes. O simulacro de preparação para um tsunami, que paralisou partes da capital, pretendia testar a resiliência perante o impensável. Contudo, bastava olhar para o fluxo de notícias para perceber que o “maremoto” já chegou, embora noutras formas. No plano internacional, a geopolítica assemelha-se a um tabuleiro de vidro moído; no plano interno, as feridas sociais e a criminalidade violenta expõem as fragilidades de um país que parece oscilar entre o progresso estatístico e o retrocesso civilizacional.

A diplomacia de Donald Trump, agora de regresso ao centro do palco mundial, tenta impor um plano de cessar-fogo de 15 pontos para travar o conflito entre Israel e o Irão. Mas a paz é uma miragem que se desvanece no terreno. Enquanto Washington envia mais três mil soldados para a região, Israel endurece a retórica e a ação: o objetivo declarado é o controlo de 10% do território do Líbano, ameaçando transformar o país numa “segunda Gaza”.

A destruição de pontes e o isolamento do sul libanês sugerem uma guerra de longa duração, ignorando os apelos de uma ONU cada vez mais criticada pelos EUA por “incapacidade” operacional. Em Lisboa, o reflexo desta tensão sentiu-se à porta da embaixada de Israel, onde um envelope com ameaças obrigou à intervenção da PSP, provando que nenhum porto é, hoje, verdadeiramente seguro.

Se as frentes de guerra na Ucrânia continuam a ser fustigadas por ataques de drones sem precedentes, Zelensky condenou ontem a “depravação absoluta” de Moscovo após um ataque diurno com 400 engenhos, Portugal enfrenta as suas próprias trevas.

O panorama criminal das últimas 24 horas é desolador. Do Ribatejo a Alenquer, a crónica negra relata abusos sexuais de menores por familiares e figuras de confiança, incluindo a detenção de um candidato do Chega por suspeita de abuso da própria filha. A violência doméstica continua a cobrar vítimas, com casos de agressões bárbaras a crianças e o homicídio de uma enfermeira reformada, alegadamente pelo filho. São episódios que questionam a eficácia das redes de proteção e a saúde mental de uma sociedade sob pressão.

No momento em que o país assinala os 40 anos da criação do Serviço de Informações de Segurança (SIS), o Expresso recorda a difícil transição da PIDE para um sistema de informações civil. A memória desses 12 anos de vácuo serve de pano de fundo para uma atualidade onde a autoridade está sob escrutínio constante.

As buscas da Polícia Judiciária na Câmara de Alandroal e a suspensão de funções do Secretário-Geral da Câmara de Lisboa por suspeitas de irregularidades demonstram que o combate à corrupção e a transparência nas instituições continuam a ser batalhas inacabadas. No terreno, a autoridade manifesta-se também na perseguição policial: de Sintra a Albufeira, as Forças de Segurança viram-se obrigadas a disparar para travar criminosos ou a intervir contra condutores alcoolizados que transformam as estradas em campos de batalha.

Nem tudo são sombras. No campo da saúde pública, Portugal alcançou um marco histórico: em 2024, registou-se o valor mais baixo de sempre de casos de tuberculose. É uma vitória da ciência e do sistema de saúde que contrasta com a ineficiência noutras áreas, como a justiça (com o adiamento de decisões sobre a legalização de imigrantes) ou a gestão ambiental.

A Quercus já lançou o alerta para a contaminação do rio Zêzere e o país foi avisado: a Europa está “perigosamente despreparada” para o agravamento dos incêndios florestais que se avizinham. Um aviso que ganha contornos reais com os incêndios em camiões na A1 e na EN14, que paralisaram o trânsito e recordaram a volatilidade do nosso quotidiano.

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J.M.Ferreira

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