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Press Center 10-10-2026

10-10-2026

A Operação Hermes, que levou à aplicação de prisão preventiva a onze suspeitos de envolvimento numa fraude ao IVA, demonstra como a criminalidade organizada se tornou sofisticada. O crime já não se esconde apenas nas ruas ou nas rotas do narcotráfico. Instala-se em empresas, movimenta capitais, utiliza mecanismos financeiros complexos e aproveita as fragilidades da fiscalização. Os prejuízos acabam por atingir todos os cidadãos, porque o dinheiro desviado corresponde a recursos que deixam de estar disponíveis para serviços públicos.

Mas a insegurança também tem rostos e histórias concretas. Uma mulher mantida em cativeiro durante três semanas, em Rio Maior; uma mãe agredida e ameaçada pelo próprio filho; assaltos violentos, roubos e episódios de violência que continuam a marcar o quotidiano. Por detrás de cada notícia existem pessoas, famílias e consequências que raramente desaparecem quando termina a atenção mediática.

Não significa isto que Portugal esteja mergulhado numa vaga generalizada de criminalidade. Significa, porém, que persistem situações de violência e vulnerabilidade que exigem prevenção, acompanhamento e respostas eficazes. A segurança não pode começar apenas depois de o crime ter acontecido.

Também as burlas se multiplicam e diversificam. A GNR registou mais de 190 casos envolvendo falsos polícias e inspetores desde 2024, enquanto as plataformas digitais continuam a ser utilizadas para enganar cidadãos. A tecnologia facilita a vida de milhões de pessoas, mas oferece igualmente novas oportunidades a quem faz do crime uma atividade lucrativa. Combater estes fenómenos exige investigação especializada, literacia digital e informação acessível à população.

Entretanto, as próprias instituições enfrentam dificuldades. As imagens de alegadas agressões policiais em Portimão, que motivaram a abertura de um inquérito pela PSP, recordam que a autoridade deve ser exercida com legalidade, proporcionalidade e respeito pela dignidade humana. A atuação dos profissionais não pode ser julgada precipitadamente, mas comportamentos eventualmente ilícitos também não podem ficar sem esclarecimento.

Em paralelo, os alertas sobre a desmotivação dos profissionais das forças de segurança merecem atenção. Não é razoável exigir disponibilidade permanente, eficácia operacional e responsabilidade acrescida sem assegurar condições de trabalho dignas, meios adequados e reconhecimento profissional. A qualidade da segurança pública depende igualmente da forma como o Estado trata aqueles a quem confia a missão de proteger os cidadãos.

Na justiça, a discussão sobre investigações prolongadas e decisões judiciais que podem comprometer processos revela um problema igualmente preocupante. Investigar criminalidade complexa exige tempo, recursos e rigor, mas não pode significar processos intermináveis ou desrespeito pelas garantias fundamentais.

Uma justiça que demora demasiado tempo a decidir acaba por fragilizar a confiança de todos: vítimas, arguidos e cidadãos. Não precisamos de menos direitos para investigar melhor. Precisamos de instituições mais eficientes, especializadas e capazes de cumprir os prazos e as exigências da lei.

Há ainda uma insegurança menos visível, mas não menos importante. As milhares de infrações rodoviárias, os incêndios que obrigam famílias a abandonar as suas casas e as suspeitas de maus-tratos em instituições de acolhimento lembram-nos que proteger a vida e a dignidade humana exige muito mais do que combater o crime. Exige fiscalização, prevenção e serviços públicos capazes de agir antes da tragédia.

Fora das nossas fronteiras, a guerra na Ucrânia continua a provocar vítimas e destruição, enquanto a instabilidade no Médio Oriente e as tensões em torno de Taiwan alimentam um ambiente internacional imprevisível.

Os conflitos contemporâneos já não se limitam aos combates convencionais. Drones, sistemas robotizados, ataques informáticos, guerra eletrónica e destruição de infraestruturas estratégicas transformaram profundamente a natureza das ameaças. E Portugal, pela sua inserção europeia e atlântica, não pode considerar-se imune às consequências políticas, económicas e securitárias desta instabilidade.

Neste contexto, o resgate de 102 migrantes pela Polícia Marítima portuguesa ao largo da Grécia merece destaque. Num tempo em que o debate sobre migrações é frequentemente dominado pela confrontação política, importa recordar que salvar vidas humanas continua a ser uma das expressões mais nobres do serviço público.

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J.M.Ferreira

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