15-06-2026
A imagem de fundo do Press Center deste início de semana é o seguinte: entre guerras que se arrastam, crime que se reinventa e tragédias que interrompem manhãs banais, a segurança internacional, nacional ou simplesmente a de atravessar uma estrada, tornou-se uma conquista cada vez mais incerta.

A nível internacional, o acordo entre os Estados Unidos e o Irão trouxe algum alívio aos mercados. O petróleo caiu, as bolsas europeias respiraram. Mas o alívio é frágil e toda a gente sabe disso. Israel rejeitou partes do entendimento e continua a atacar posições do Hezbollah no Líbano. No Estreito de Ormuz, centenas de navios permanecem parados, à espera de garantias que ainda não chegaram. Na Ucrânia, Zelensky insiste em que os aliados travem a chamada “frota fantasma” russa, navios usados para contornar sanções e manter o esforço de guerra de Moscovo financiado. A guerra continua. A Europa observa.
A União Europeia, aliás, continua à procura do seu próprio lugar neste cenário. A nova Estratégia de Segurança europeia ficará em espera até depois da próxima cimeira da NATO, sinal de um continente que, uma vez mais, reage mais depressa às crises do que consegue antecipá-las.
Em Portugal, a inquietação tem contornos muito concretos. O fim de semana ficou marcado por acidentes mortais, atropelamentos, incêndios e episódios de violência dispersos que, somados, alimentam uma sensação difusa de que algo não está bem. A morte da criança de 12 anos em Vila Verde, atropelada pouco depois de o pai a deixar na paragem do autocarro, abalou o país de uma forma que os números de sinistralidade raramente conseguem. Trouxe de volta, inevitavelmente, o debate sobre a sinistralidade rodoviária.
Entretanto, a criminalidade torna-se mais sofisticada e menos visível. A investigação à rede chinesa acusada de branquear 88 milhões de euros em Portugal revelou como o crime económico opera hoje sem fronteiras e, muitas vezes, sem rosto. Já a contrafação, impulsionada pela febre do Mundial, continua a ser encarada por muitos quase como uma infração menor, apesar das ligações evidentes a redes criminosas com ramificações internacionais.
Por seu turno, a violência contra idosos, os casos de pornografia de menores, o ataque sexual a uma criança autista na Casa Pia, os episódios de violência armada: não são casos isolados que se possam arrumar em categorias separadas. São sintomas de um mal-estar que atravessa diferentes camadas da sociedade sem pedir licença. A expectativa em torno da sentença do caso Odair Moniz diz também algo sobre isso, sobre como a confiança na justiça permanece frágil em muitos bairros, entre muitas pessoas.
As Forças de Segurança respondem como podem. Só durante as festas populares de Lisboa foram detetados mais de duas centenas de condutores sob o efeito do álcool em poucas horas. Milhares de agentes foram mobilizados para os exames nacionais. O esforço é real e revela, ao mesmo tempo, um Estado que gasta boa parte da sua energia a “apagar fogos”. Literalmente, também: o fantasma dos incêndios volta a ganhar força com a aproximação do verão. Quarenta anos depois das tragédias do Caramulo e de Águeda, os avisos repetem-se. A floresta continua desordenada, os resíduos acumulam-se, o calor extremo já não é surpresa. Portugal reage depois da tragédia. É um padrão antigo, resistente a qualquer aprendizagem.
No meio de tudo isto, há gestos que importa não deixar passar: o agente da PSP que salvou uma idosa de afogamento nas férias, os bombeiros que mantêm viva a memória das tragédias para que não se repitam, os milhares de profissionais que asseguram serviços públicos em condições que ninguém publicita. Não resolvem nada sozinhos. Mas dizem alguma coisa sobre o que ainda aguenta.
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- A espinha de vidro da Defesa. In Observador
- A rede criminosa chinesa acusada de branquear 88 milhões. In Observador
- Acordo EUA-Irão. Petróleo tomba 5% e bolsas europeias sobem. In DN
- Agente da PSP de férias salva idosa de afogamento. In CM
- Albânia quer prender por tráfico de droga 20 suspeitos, alguns ligados a projeto da família Trump. In JN
- Casa Pia em alerta com ataque sexual a menino autista de 7 anos. In CM
- Caso Odair Moniz: sentença conhecida esta segunda-feira. In DN
- Colisão entre dois helicópteros no Rio de Janeiro faz pelo menos seis mortos. In SIC
- Contrafação: “Há uma aceitação cultural, como se não fosse um crime”. In JN
- Costa e UE saúdam acordo EUA‑Irão, mas Israel recusa‑o e exige desmantelamento do Hezbollah. In DN
- Criança de 12 anos morre após atropelamento em Vila Verde. O pai tinha acabado de a deixar na paragem do autocarro. In Sol
- Cuba com cortes prolongados de eletricidade. In JN
- Dezenas de pessoas detidas em Nova Iorque nos festejos da conquista dos Knicks. In JN
- Dois homens detidos pela PSP por ameaças com armas brancas na via pública. In CM
- Dois jovens condenados por crimes de pornografia de menores. In JN
- Doze mortos em queda de avião nos Estados Unidos. In Expresso
- Empresária do sexo vigia clientes ricos com videovigilância. In CM
- Estafetas recolheram fortuna das vendas sem fatura para colocar 88 milhões na China. In JN
- Estradas e calçadas em péssimo estado geram onda de queixas. In Sol
- Febre do Mundial faz disparar contrafação de artigos desportivos. In JN
- Festas populares de Lisboa. GNR deteta 264 condutores sob influência do álcool e detém 78 pessoas em apenas quatro horas. In DN
- Final de semana mortal nas estradas portuguesas. In DN
- Focos de incêndio e vidros partidos: confrontos entre manifestantes anti-G7 e polícia em Genebra. In JN
- Forças britânicas interceptaram petroleiro da frota fantasma russa no Canal da Mancha. In Público
- Fugitivo entre cinco detidos em operação da GNR contra o tráfico de droga em Gondar. In JN
- GNR deteve em quatro horas 66 condutores embriagados. In RR
- Grupo violento passou a traficar droga após assalto a laboratório de canábis medicinal. In JN
- Há 600 navios retidos no Estreito de Ormuz, armadores e comerciantes ainda à espera de informações. In Expresso
- Homem leva criança para assalto no Seixal. Polícia procura suspeito que estava armado. In CM
- Homem morre após ser atropelado por comboio na estação de Caxarias, em Ourém. In Sol
- Idoso desloca-se a farmácia e é assaltado por casal em Vila das Aves. In CM
- Incêndio deflagra em empresa de gestão de resíduos em Valongo. In CM
- Incêndio no bairro das Galinheiras deixa 15 pessoas desalojadas. In RR
- Israel ataca alvos do Hezbollah nos subúrbios do Sul de Beirute. In Público
- Jovem de 21 anos morre após ser lançada sem cordas em “bungee jumping”. In RR
- Mais de 5000 agentes das forças de segurança garantem transporte: o que se sabe da operação exames. In Público
- Marinheiro terá saído para apanhar ar e caiu de varandim sem corrimão. In CM
- Ministro promete “afastar” quem não colaborar no “esforço coletivo” contra incêndios. In SIC
- Morreu a ciclista abalroada por camião em Barcelos. In CM
- Morreu menina de 12 anos atropelada em Vila Verde. In CM
- Multado em 150 euros por partir raquete nas costas da filha que não saudou madrasta. In JN
- Nova Estratégia Europeia de Segurança só ficará pronta depois da cimeira da NATO. In Público
- Nove mortos em ataques russos contra a Ucrânia. Mosteiro do século XI em Kiev atingido. In DN
- O trágico incêndio florestal que Águeda nunca esqueceu, morreram 13 bombeiros e três civis. In SIC
- Odair Moniz. “Que o polícia seja condenado, senão isto vira outra vez um inferno”. In RR
- Ormuz, Líbano e programa nuclear: o que (não) se sabe sobre o cessar-fogo entre EUA e Irão. In Público
- Para a Polónia, uma guerra com a Rússia seria uma questão existencial. In DN
- Pelo menos 31 mortos em acidente com autocarro de passageiros na Etiópia. In Público
- Por dentro do esquema português que revelou a maior fraude ao IVA da Europa. In Público
- Proprietário do restaurante Júlio dos Caracóis alvo de assalto milionário. In CM
- PSP reforça vigilância em zonas mais procuradas durante o verão. In JN
- Se houver um fogo é uma desgraça outra vez: 40 anos depois do grande incêndio, a serra do Caramulo continua a ser um perigo. In Expresso
- Seguro espera que acordo entre Irão e EUA ponha “fim imediato ao conflito, incluindo no Líbano”. In DN
- Tiroteio junto à discoteca Armazém 18 em Odivelas faz um ferido. In CM
- Todos falam do El Niño, mas ele não tem culpa deste calor. In Observador
- Um caixão rachado, um funeral, uma “maldição”: a caça pelo paciente zero do Ébola. In Público
- Verão traz pico de lixo em Portugal: Agência do Ambiente alerta para mais de 1,8 milhões de toneladas de resíduos. In Expresso
- Violações, choques elétricos e ratos para comer: as prisões russas que tratam ucranianos “como cães”. In JN
- Violência contra idosos aumentou 26,5% nos últimos cinco anos. In RR
- Zelensky discutiu negociações de paz na Ucrânia em chamada com Trump. In SIC
- Zelensky exige medidas para confiscar petróleo da “frota fantasma” russa. In JN
- Zelensky exige medidas para confiscar petróleo russo. In Observador
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J.M.Ferreira

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