02-08-2026
Do Press Center de 2 de agosto sobressaem vários temas que ajudam a retratar a instabilidade do atual contexto internacional: a crise migratória em Ceuta, os incêndios, a guerra na Ucrânia, a tensão entre os Estados Unidos e o Irão, a intensificação dos fenómenos climáticos extremos e a persistência da criminalidade organizada.

Ceuta tornou-se, inevitavelmente, o centro das atenções. A polícia espanhola confirmou 72 mortos e mais de 70 mil retornos a Marrocos, enquanto a pressão sobre a morgue e os serviços forenses fez admitir que o número de vítimas possa ultrapassar uma centena.
É difícil continuar a olhar para o que ali aconteceu como apenas mais um episódio de pressão migratória.
Quando dezenas de milhares de pessoas se concentram num curto espaço de tempo numa fronteira externa da União Europeia, estamos perante um problema humanitário, mas também perante um problema de segurança, de controlo fronteiriço e de capacidade de resposta política.
A informação de que as redes sociais terão contribuído para mobilizar milhares de jovens acrescenta outro dado importante. Hoje, movimentos desta dimensão podem ganhar velocidade em poucas horas. Uma fronteira pode passar rapidamente de uma situação de normalidade para uma pressão extrema.
É precisamente nestes momentos que se percebe a diferença entre reagir e prevenir.
Reagir é reforçar meios quando a crise já chegou. Prevenir é perceber os sinais, partilhar informação, antecipar movimentos e preparar os dispositivos antes de a situação ficar fora de controlo.
Também por isso, reduzir Ceuta a mais uma batalha política entre esquerda e direita sobre imigração pouco ajuda. Controlar fronteiras não é incompatível com proteger vidas. Combater redes de tráfico de seres humanos também não é incompatível com uma política migratória digna. Um Estado deve conseguir fazer as três coisas ao mesmo tempo.
Os incêndios oferecem outro exemplo de um problema antigo ao qual continuamos, demasiadas vezes, a responder como se fosse inesperado.
Em Valpaços e Mesão Frio, os fogos entraram em fase de resolução depois de dias particularmente difíceis. O testemunho de um dos habitantes de Valpaços resume melhor do que qualquer comunicado oficial a dimensão do que aconteceu: “Não morremos porque não calhou.”
Entretanto, surge um dado particularmente preocupante: cinco dos onze maiores incêndios terão sido provocados por mão criminosa.
A investigação é, naturalmente, indispensável. Identificar quem ateou o fogo e levá-lo à Justiça faz parte da resposta do Estado. Mas a investigação começa quando o incêndio já aconteceu.
A prevenção começa muito antes.
Começa na gestão da floresta, na limpeza de combustíveis, na vigilância, na deteção precoce, no conhecimento do território e na presença das autoridades onde o risco é maior.
É uma diferença simples, mas essencial. Não basta saber quem acendeu o fósforo. É preciso impedir que o território esteja permanentemente preparado para arder.
E também aqui Portugal não está sozinho. A Grécia enfrenta condições meteorológicas extremas, perdeu cerca de uma centena de casas e registou a colisão de dois helicópteros envolvidos no combate às chamas. Nos Estados Unidos, Washington declarou o estado de emergência devido aos incêndios.
O problema está a tornar-se global e cruza-se cada vez mais com outras vulnerabilidades.
Na Coreia do Sul, a temperatura atingiu um recorde de 42,5 graus. No Danúbio, a queda histórica do caudal obrigou a Hungria a encerrar uma central nuclear. Um problema climático transformou-se, de imediato, num problema energético.
É esta a realidade da segurança no século XXI: as crises alimentam-se umas às outras.
Uma seca pode comprometer energia. Um incêndio pode destruir infraestruturas. Uma vaga migratória pode transformar-se numa crise política. Um conflito militar pode atingir rotas comerciais e pressionar os preços da energia a milhares de quilómetros de distância.
Também a guerra continua a produzir estes efeitos em cadeia.
O atentado de Moscovo, alegadamente dirigido contra um general russo ligado à matança de Bucha, provocou cinco mortos. Um drone russo voltou a causar alarme na Roménia. Itália apreendeu um navio associado à chamada “frota fantasma” e Kiev reivindicou novos ataques contra um aeródromo e uma refinaria em território russo.
Ao mesmo tempo, Washington e Teerão continuam presos numa relação de tensão permanente, mesmo depois de Donald Trump ter recuado nos ataques ao Irão na sequência de contactos sauditas.
Ucrânia, Irão, energia, sanções e rotas marítimas deixaram há muito de ser assuntos separados.
Portugal também encontra nestes acontecimentos razões para olhar para dentro.
Por fim, a acusação contra uma técnica do Ministério dos Negócios Estrangeiros, a filha e o marido, por alegado auxílio à imigração ilegal, acompanhada da descoberta de 791 mil euros, mostra como os próprios mecanismos administrativos podem ser explorados quando falham os controlos internos.
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- “Quando prevenir é menos importante que investigar”. In DN
- Arma de erosão massiva: as vagas que se dizem migratórias. In Observador
- Autarca de Moscovo diz que explosão no sábado foi “hediondo ato terrorista”. In Expresso
- Bebé em estado grave após atropelamento no Bombarral . In Observador
- Catorze mortos e mais de 20 feridos em ataque no Paquistão. In Observador
- Ceuta e a esquerda. In Observador
- Cinco dos onze maiores incêndios ateados por mão criminosa. In CM
- Colisão em cadeia provoca seis mortos e 30 feridos em Itália. In RR
- Coreia do Sul em alerta com recorde de temperatura de 42,5 graus. In JN
- Crise migratória de Ceuta expõe divisões e testa unidade da UE. In DN
- Crise migratória em Ceuta. Polícia espanhola confirma 72 mortos e mais de 70 mil retornos a Marrocos. In DN
- Descida histórica do caudal do Danúbio obriga Hungria a fechar central nuclear e enfrentar crise energética. In DN
- Despiste de mota provoca dois feridos em Vila do Conde. In CM
- Detido em Lisboa para cumprir cadeia por conduzir sem carta. In CM
- Detidos em Lisboa com droga e soqueira. In CM
- Detidos por suspeitas de traficar no centro de Lisboa. In CM
- Dois helicópteros colidem durante combate aos incêndios na Grécia. In JN
- Drone russo gera alarme na Roménia e Itália apreende navio da “frota fantasma”
- Eventos como o que se viu em Ceuta têm de ser precavidos”. In Observador
- Explosão de botija faz quatro feridos em Viana do Castelo. In Observador
- Filho de ama assassinada pede 200 mil euros a patroa homicida. In CM
- Fogos em Valpaços e Mesão Frio em resolução. In Observador
- General russo ligado à matança de Bucha seria o alvo de atentado em Moscovo. Número de mortos sobe para cinco. In DN
- GNR patrulha zona do Baixo Mondego em busca de homem desaparecido há quase duas semanas. In SIC
- Grécia em situação “extremamente difícil” com condições meteorológicas extremas. In Expresso
- Grécia. Cerca de 100 casas destruídas por um enorme incêndio florestal. In RR
- Homem apanhado a fotografar indevidamente crianças e mulheres em praia no Algarve. In CM
- Homem ferido em desacatos em bar no Porto. In CM
- Incêndio deflagra em estaleiro de construção civil em Sintra. In CM
- Incêndio em ferry na Indonésia provoca pelo menos cinco mortos e 41 desaparecidos. In DN
- Incêndio em Valpaços: “Não morremos porque não calhou. Isto aqui foi quase o fim do mundo”. In SIC
- Incêndios em Vila Real entraram em fase resolução. In Observador
- Incêndios: Fogo em Valpaços teve “reacendimentos fortes” mas continua controlado. In DN
- Irão anuncia possibilidade de acordo com Omã sobre nova rota no estreito de Ormuz. In Expresso
- Irão mantém-se alerta após Trump cancelar ataque. In DN
- Japão atualiza balanço para 38 mortos após sismo. In Observador
- Massagista de spa de hotel condenado por coação sexual. In CM
- Militar da GNR morre num despiste de mota em Sernancelhe. In JN
- Morgue e serviços forenses em Ceuta estão sobrecarregados: número de mortos pode ultrapassar uma centena, admitem as autoridades. In Expresso
- Motociclista morre em acidente com camião na Ponte 25 de Abril. In RR
- Os inimigos do TPI. In JN
- Portugal está fora da lista. Isso é boa notícia? In Observador
- Presidente da Somália acusa Israel de desastibilizar Corno de África. In Expresso
- PSP apreende ‘gás pimenta’ em Vila das Aves. In CM
- Redes sociais incentivaram mobilização de jovens para Ceuta. In Observador
- Suspeito de balear segurança na perna à porta de bar no Porto fica em prisão domiciliária. In CM
- Técnica do Estado aliciada para regularizar imigrantes ilegais tinha 791 mil euros escondidos. In JN
- Técnica do MNE, filha e marido acusados de auxílio à imigração ilegal. Tinham 791 mil euros escondidos. In CM
- Três indemnizações concluídas no caso do acidente no Elevador da Glória. In CM
- Trump recua nos ataques ao Irão após telefonema saudita. Teerão nega ter pedido tréguas a Washington. In DN
- Ucrânia e Irão: guerras entrecruzadas. In Público
- Ucrânia: Kiev reivindica ataques contra aeródromo e refinaria na Rússia. In Expresso
- Voo da TAP de Lisboa para Boston aterra de emergência nos Açores por “questão técnica”. In CM
- Washington declara estado de emergência devido aos incêndios. In JN
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J.M.Ferreira

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