06-08-2026
O Press Center de 6 de agosto oferece um retrato particularmente denso dos desafios que hoje se colocam à segurança.

Comecemos pelos incêndios. Em apenas seis meses arderam 53.731 hectares em Portugal, o segundo pior registo desde a tragédia de Pedrógão Grande. Mas talvez o número mais importante seja outro: menos de 1% das ocorrências foram responsáveis por 81% da área destruída até julho.
Este dado deveria obrigar a alguma reflexão. O problema português não está apenas no número de ignições, mas sobretudo na capacidade de evitar que algumas delas se transformem em grandes incêndios. Quando uma pequena percentagem de ocorrências concentra a esmagadora maioria da destruição, torna-se inevitável discutir ordenamento florestal, gestão de combustíveis, acessibilidades, prevenção e rapidez da resposta inicial.
A detenção de suspeitos de fogo posto em Fafe e Gondomar demonstra que a investigação criminal funciona e continua a ser necessária. Mas prender incendiários depois de milhares de hectares terem ardido nunca poderá substituir uma verdadeira política de prevenção.
No mar, o problema é diferente, embora a lógica seja semelhante: organizações criminosas demonstram uma extraordinária capacidade de adaptação.
A apreensão de cinco toneladas de cocaína em alto-mar voltou a mostrar a dimensão das rotas que passam pelas águas próximas de Portugal. Escalar navios comerciais, utilizar cordas para içar fardos, recorrer a mergulhadores, semi-submersíveis ou introduzir elementos clandestinamente a bordo são apenas algumas das técnicas utilizadas pelos cartéis.
Ao mesmo tempo, multiplicam-se relatos sobre narcolanchas a operar a sul de Lisboa, algumas alegadamente detetadas diariamente.
Portugal não é apenas um mercado de destino. A sua posição geográfica, os portos, a extensa costa e a proximidade das grandes rotas atlânticas tornam o país particularmente exposto ao tráfico internacional de cocaína. O problema já não pode ser visto apenas como uma sucessão de grandes apreensões. Cada apreensão demonstra eficácia policial, mas revela também a dimensão de um negócio suficientemente lucrativo para absorver perdas de toneladas e continuar a operar.
Há ainda uma terceira frente, menos espetacular mas igualmente importante: a confiança nas instituições.
A decisão da ministra da Justiça de mandar auditar a Polícia Judiciária, as notícias relacionadas com obras realizadas por uma empresa que manteve relações contratuais com a instituição e a existência de um processo no Tribunal de Contas colocaram novamente a PJ no centro da atenção pública. Luís Neves afirmou estar tranquilo e declarou ter sido ele próprio a solicitar a apreciação do Tribunal de Contas.
Nesta fase, mais importante do que alimentar julgamentos antecipados é permitir que os mecanismos de fiscalização funcionem. Uma instituição com a responsabilidade e o prestígio da Polícia Judiciária não deve temer escrutínio. Pelo contrário: quanto maior for a relevância de uma instituição para o Estado de direito, maior deverá ser a exigência de transparência sobre a sua gestão.
A auditoria deverá, por isso, produzir respostas claras e tão rápidas quanto o rigor permitir. Nem condenações públicas antecipadas, nem corporativismos defensivos ajudam a preservar a credibilidade institucional.
Entretanto, a criminalidade quotidiana continua a recordar-nos que a segurança possui igualmente uma dimensão profundamente humana. Uma mulher terá sido agredida e violada pelo ex-namorado por não retirar uma queixa de violência doméstica. Dois irmãos africanos, de nove e 11 anos, foram resgatados num processo relacionado com tráfico de crianças. Outro suspeito procurado por tráfico de seres humanos foi detido no Alentejo. Em Lisboa, um assalto a uma residência terá permitido roubar mais de meio milhão de euros em dinheiro, ouro e joias.
São crimes diferentes, mas todos demonstram que violência, exploração e criminalidade patrimonial continuam a exigir capacidade preventiva, investigação e proteção das vítimas.
Também nas estradas permanece um problema difícil de explicar. Desde 2015, as mortes rodoviárias em Portugal diminuíram apenas 0,7%, enquanto a redução média europeia se aproximou dos 20%. No próprio dia em análise, um homem de 32 anos morreu num despiste no IC21.
Quando praticamente toda a Europa consegue melhorar e Portugal permanece quase no mesmo lugar durante uma década, já não estamos perante uma fatalidade estatística. Estamos perante um problema de política pública.
Do exterior chegam, entretanto, sinais igualmente inquietantes. A guerra na Ucrânia permanece sem fim à vista, com ataques noturnos de ambos os lados e um número recorde de drones utilizados por Kiev contra território russo. Em Zaporijjia, relatos de ataques deliberados com drones contra civis ilustram uma transformação particularmente perturbadora da guerra moderna: tecnologia barata, permanente e capaz de transformar cada movimento de uma população numa potencial exposição ao ataque.
Portugal prepara-se, simultaneamente, para aumentar substancialmente o investimento na Defesa, com um financiamento de seis mil milhões de euros e a anunciada aquisição de fragatas italianas. É uma decisão que deve ser compreendida no contexto de uma Europa obrigada a reconsiderar a sua segurança.
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- “Safaris” contra civis assustam a população em Zaporijjia. In Público
- Agrediu e violou ex-namorada que não retirou queixa de violência doméstica. In JN
- Alemanha: avião que estava junto a drone encontrado com explosivos afinal não tinha armas para a Ucrânia. In DN
- ASAE realiza operação no Centro Comercial Plaza em Évora após queixas de falta de condições. In CM
- Assalto a casa em Lisboa rende mais de meio milhão de euros em dinheiro, ouro e joias. In CM
- CIA criou equipa secreta para Cuba, à medida que cresce a pressão de Washington sobre Havana. In Expresso
- Como chegou a cocaína ao navio: escalaram barco e usaram cordas para puxar fardos. In JN
- Construbarcelos também fez obras em casa do diretor financeiro da PJ. In DN
- Da escalada aos mergulhadores: os esquemas usados no mar pelos cartéis de droga. In JN
- Detido em Lisboa para cumprir dois anos de prisão por abusar de menores. In CM
- Detido empresário que vendia produtos de canábis em rede de lojas “smartshop”. In JN
- Dois cidadãos estrangeiros detidos por suspeitas de tráfico de crianças. In Expresso
- Dois detidos por furtos em supermercados de Monção. In JN
- Dupla detida por tráfico de dois irmãos africanos de nove e 11 anos. In JN
- Em seis meses arderam 53.731 hectares em Portugal. O segundo pior registo desde Pedrógão. In DN
- Esquadra do Rato: três PSP suspeitos de agressões não foram constituídos arguidos. In Expresso
- França confirma novo caso de hantavírus transmissível entre humanos e reforça medidas de vigilância. In Expresso
- GNR desmantela grupo que lucrou 80 mil euros com o furto de cobre e aprende uma tonelada. In JN
- GNR deteve sete suspeitos de furto de cobre em Gouveia, Mangualde, Viseu e Aveiro. In CM
- GNR registou 1.496 incidentes desportivos na época, com 259 árbitros entre as vítimas. In DN
- Governo aprova empréstimo de seis mil milhões para defesa e avança com compra de fragatas italianas. In SIC
- Grandes incêndios: menos de 1% das ocorrências causaram 81% da destruição até Julho. In Público
- Guerra na Ucrânia sem fim à vista: Moscovo e Kiev realizam ataques durante a noite. In Expresso
- Homem de 32 anos morre em despiste no IC21 junto às portagens de Coina. In CM
- Homem moldavo detido pela PSP no Alentejo por crime de tráfico de seres humanos. In Expresso
- Jovem deportado para o Brasil após esperar dois anos por decisão da AIMA. In Expresso
- Jovem hospitalizado após ser agredido por grupo no Sabugal. In CM
- Judiciária deteve incendiários em Fafe e Gondomar. In JN
- Luís Neves diz-se tranquilo com auditoria à PJ e garante ter sido ele a pedir apreciação do Tribunal de Contas. In DN
- Matou companheira de casa à facada e chamou a Polícia. In JN
- Menor apanhada a conduzir sem carta em Cascais. In CM
- Ministra da Justiça manda auditar PJ enquanto Luís Neves enfrenta processo no Tribunal de Contas. In DN
- Mortes nas estradas portuguesas só caíram 0,7% desde 2015, redução na Europa foi de 20%. In Expresso
- Mulher ameaçada com pistola para transferir 3800 euros. In JN
- Mulher de 63 anos detida por tráfico de droga em Cabeceiras de Basto. In JN
- Narcolanchas invadem costa portuguesa a sul de Lisboa: “São detetadas dezenas por dia”. In Expresso
- No Brasil, a criminalidade violenta diminuiu mas morreu mais gente por acção da polícia. In Expresso
- O que diferencia Portugal de Espanha e de França na resposta aos incêndios florestais? In Expresso
- O que é Schengen? O acordo que permite aos europeus viajar sem fronteiras e as suas exceções. In DN
- ONG exige libertação de 40 estrangeiros presos por motivos políticos na Venezuela. In DN
- Onze anos de prisão por aterrorizar população com assaltos no Entroncamento. In CM
- Operação “Sky drop” PJ detalha apreensão de cinco toneladas de cocaína em alto mar. In Expresso
- Partidos recusaram videovigilância proposta pela GNR e PSP na Assembleia da República. In SIC
- Penacova critica falta de soluções da IP para duas estradas cortadas há seis meses. In DN
- PJ detém suspeita de atear fogo com isqueiro em Fafe. In CM
- PJ recebeu €4,3 milhões de fundos europeus para obras de eficiência energética em que participou empreiteiro de Barcelos. In Expresso
- Poeiras do Norte de África dirigem-se para o território continental e podem trazer “chuva de lama” no sábado. In Expresso
- Portugal registou quase 700 mortes acima do esperado este Verão. In Público
- Presidente da República espera conhecer rapidamente resultados da auditoria à PJ. In DN
- Procurado por assalto à mão armada em Buenos Aires detido em Lisboa. In JN
- Província chinesa de Zhejiang retira mais de dez mil pessoas devido ao tufão Dolphin. In DN
- PSP detém no Alentejo moldavo procurado por tráfico humano. In DN
- Razões passionais na origem de sequestro na Marinha Grande. In JN
- Rede de tráfico usa clandestinos a bordo de cargueiro para traficar “mil milhões de euros em cocaína”. In CM
- Roubam meio milhão de euros em dinheiro e joias numa casa em Lisboa. In JN
- Semi-submersível, carro funerário e rappel: as histórias das cinco maiores apreensões de cocaína. In Público
- Sintra removeu em julho 207 carros abandonados. In CM
- Suspeito de tráfico de droga em Lagos salta de 2.º andar na fuga mas acaba detido pela PJ. In SIC
- Trio agride homem e rouba três barras de ouro por esticão na rua em Gondomar. In JN
- Trump aponta para Hegseth e este para o seu vice sobre falta de munições . In DN
- Trump nega escassez de mísseis e ameaça com prisão para quem divulgar informações sobre arsenais dos EUA. In DN
- Trump oferece recompensa de 22 milhões por líder do mais poderoso cartel do México. In Público
- Ucrânia: Ataque ucraniano à Rússia com número recorde de drones. In DN
- Usavam redes sociais para vender drogas a turistas estrangeiros em Albufeira. In JN
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J.M.Ferreira

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