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Press Center 07-08-2026

07-08-2026

Em Portugal, há um dado particularmente difícil de ignorar: o país estagnou no combate à sinistralidade rodoviária. As mortes registadas nas estradas em 2025 foram praticamente as mesmas de há dez anos, contrastando com a redução significativamente mais acentuada conseguida pela União Europeia. A informação surge num dia em que voltaram a ser noticiados acidentes mortais, na A13 e em Chaves, 75 acidentes numa única semana na Madeira e um condutor intercetado com uma taxa de álcool de 3,02 gramas por litro de sangue.

A fiscalização é necessária, mas os números mostram que não chega. Quando uma década passa sem uma redução significativa das mortes, já não estamos apenas perante comportamentos individuais irresponsáveis. Estamos também perante um problema de política pública. Fiscalização, infraestrutura rodoviária, educação, velocidade, álcool, utilização do telemóvel e reincidência precisam de ser considerados numa estratégia integrada. Contar mortos todos os anos não pode substituir a prevenção.

No domínio criminal, merece igualmente atenção o alerta do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo: as redes de tráfico de droga estão mais perigosas e sofisticadas. A avaliação confirma aquilo que sucessivas operações policiais têm vindo a revelar. Já não falamos apenas de organizações que transportam droga. Falamos de estruturas transnacionais capazes de combinar tráfico de estupefacientes, armas, migrantes, tecnologia, comunicações encriptadas, logística marítima e capacidade financeira.

A operação internacional em que participou a Polícia Judiciária e que permitiu desmantelar uma rede envolvida simultaneamente no tráfico de migrantes, droga e armas é precisamente um exemplo dessa transformação. O crime organizado tornou-se empresarial, tecnológico e global. Consequentemente, combatê-lo exige investigação criminal igualmente internacionalizada, inteligência, cooperação policial e capacidade tecnológica.

Também o cibercrime continua a aproximar-se perigosamente do crime tradicional. O caso de um jovem português que terá desenvolvido uma versão de inteligência artificial posteriormente utilizada para atividades criminosas mostra a velocidade da transformação. A tecnologia não cria necessariamente novas intenções criminosas, mas aumenta extraordinariamente a escala, a velocidade e o alcance com que podem ser concretizadas.

Ao mesmo tempo, permanece a questão da credibilidade das próprias instituições de segurança. A atual direção da Polícia Judiciária pediu uma auditoria às obras realizadas durante a liderança de Luís Neves, iniciativa autorizada pela ministra da Justiça, enquanto a PJ afastou entretanto a existência de elementos que justificassem procedimento disciplinar ao seu diretor financeiro. É importante que todas as dúvidas sejam esclarecidas rapidamente. Não apenas para determinar responsabilidades, caso existam, mas também para evitar que suspeitas prolongadas contaminem instituições cuja autoridade depende em larga medida da confiança pública.

A mesma exigência de transparência deve acompanhar outros debates sobre segurança, desde o SIRESP às bodycams. Nos Estados Unidos, a utilização obrigatória de câmaras pelos agentes do ICE volta a recordar que estas tecnologias podem proteger simultaneamente cidadãos e agentes, embora tudo dependa das regras relativas à utilização, conservação e divulgação das imagens.

No plano ambiental, os sinais também se acumulam. Portugal continental esteve em seca meteorológica durante julho, o mês de julho mais seco deste século, enquanto o incêndio de Fornos de Algodres mobilizou centenas de operacionais e voltou a ganhar intensidade depois de inicialmente dominado. Ao mesmo tempo, o mundo atravessa um verão marcado por temperaturas extremas, incêndios, secas e outros fenómenos meteorológicos severos.

A segurança ambiental deixou, por isso, de ser uma questão lateral. Incêndios rurais, escassez de água, ondas de calor, qualidade do ar e fenómenos meteorológicos extremos produzem consequências económicas, sanitárias, sociais e de proteção civil. São hoje matérias centrais da segurança nacional.

Também fora das nossas fronteiras os sinais de instabilidade são evidentes. Arábia Saudita, Turquia e Paquistão avançaram para um acordo de defesa perante o conflito no Irão; a circulação no Estreito de Ormuz continua a diminuir; surgem informações sobre uma possível operação russa de “falsa bandeira” no Báltico; e Moscovo terá já recrutado mais de 28 mil estrangeiros provenientes de 135 países para combater na Ucrânia.

Num dos episódios mais inquietantes do dia, um drone armadilhado junto ao aeroporto alemão de Leipzig terá sido neutralizado quase por acaso. Independentemente das circunstâncias concretas, o episódio recorda uma realidade conhecida da guerra da Ucrânia: drones baratos podem produzir ameaças extremamente dispendiosas de combater.

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J.M.Ferreira

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