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Press Center 08-09-2026

08-09-2026

Em Portugal, começa por sobressair a diversidade da criminalidade. Um alegado “comando” terá roubado mais de 900 mil euros de bancos e enviado dinheiro para o Brasil; um arguido responde por 36 burlas do esquema “Olá pai, olá mãe”; falsos inspetores da Polícia Judiciária são acusados de assaltar pessoas em Espinho; e um falso motorista de TVDE é julgado por uma série de roubos com faca em Lisboa. A criminalidade adapta-se às oportunidades: tanto explora a tecnologia e a confiança das vítimas como recupera métodos tradicionais de intimidação e violência.

A circulação de armas acrescenta outra dimensão ao problema. Um homem foi atingido com quatro tiros de uma arma ilegal no final de um baile, a GNR deteve outro por posse ilegal de arma na Vidigueira e um oficial de justiça é acusado de utilizar a licença do pai já falecido para traficar munições. Não se trata de fenómenos equivalentes, mas todos recordam uma realidade elementar: quanto maior for a disponibilidade ilícita de armas e munições, maior será o potencial de violência e mais exigente se torna o trabalho de investigação e fiscalização.

Mais delicado é o quadro que toca diretamente a confiança nas instituições. Dois agentes da PSP estão a ser julgados pela morte de um imigrante marroquino, num caso em que a GNR terá afastado a hipótese de atropelamento e em que surgem notícias de que a PJ recusou investigar após esse alerta. Paralelamente, o diretor nacional da PJ, Luís Neves, continua no centro de polémicas políticas e institucionais, incluindo divergências sobre factos relacionados com o chamado “caso do atrelado”

Aqui importa resistir a julgamentos antecipados. Mas também importa compreender que, quando estão em causa forças e serviços responsáveis pela aplicação da lei, a exigência de esclarecimento deve ser ainda maior. A autoridade do Estado depende não apenas da legalidade da sua atuação, mas também da confiança que consegue inspirar.

A imigração ilegal surge igualmente no radar. O Ministério Público acusa dois homens e uma empresa espanhola de auxílio à imigração ilegal em Elvas, num processo em que é referido um lucro de 324 mil euros. Ao mesmo tempo, o autarca de Ceuta responsabiliza Marrocos pela crise de julho e pede uma resposta europeia. São realidades distintas, mas convergem num ponto: as fronteiras externas da Europa continuam sujeitas a fortes pressões e constituem um terreno fértil para redes que transformam a vulnerabilidade humana em negócio.

Fora de Portugal, a segurança europeia permanece inevitavelmente ligada à guerra na Ucrânia. Kiev voltou a ser atingida por ataques russos, enquanto o Reino Unido reforça a defesa antiaérea ucraniana e a União Europeia autoriza a aquisição de mísseis Patriot através de financiamento europeu. Ao mesmo tempo, surgem sinais característicos da chamada “zona cinzenta”: um cidadão russo foi detido por alegada espionagem de bases militares na Roménia, um suspeito de sabotagem da rede elétrica foi detido na Alemanha e um tribunal finlandês acusa o capitão de um cargueiro russo de danificar um cabo submarino.

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J.M.Ferreira 

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