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Press Center 10-09-2026

10-09-2026

À entrada dos 25 anos sobre o 11 de Setembro, a segurança continua a ser discutida sobretudo através das ameaças: terrorismo, guerra, criminalidade, ataques informáticos. Mas o Press Center de 10 de setembro convida a olhar também para quem lhes deve responder. A capacidade do Estado mede-se nos meios de que dispõe, na forma como os utiliza e na confiança que merece a quem precisa de proteção.

Em Portugal, o pedido de uma reunião urgente das associações e sindicatos da GNR e da PSP, acompanhado da ameaça de novos protestos, volta a expor o desgaste da relação com a tutela. Um conflito desta natureza exige negociação séria, compromissos claros e explicações sobre o que pode ser cumprido. Deixar acumular desconfiança tem consequências para instituições cujo funcionamento depende, todos os dias, da disponibilidade dos seus profissionais.

O alerta do Ministério Público para a falta de peritos e os atrasos nas investigações de cibercrime dá expressão concreta a outro problema. A sofisticação dos crimes exige capacidade técnica para recolher, preservar e interpretar prova. Quando essa capacidade escasseia, a investigação demora e a resposta judicial perde eficácia. Anunciar o combate à criminalidade digital implica assegurar as pessoas e os instrumentos necessários para o concretizar.

A autoridade do Estado exige igualmente escrutínio. O julgamento anunciado de dois agentes da PSP acusados de tortura e violação no Rato deve decorrer com respeito pela presunção de inocência e pelos direitos das vítimas. A gravidade das acusações exige um apuramento rigoroso. Proteger a credibilidade de uma força de segurança passa por esclarecer o que aconteceu e responsabilizar quem o tribunal venha a considerar culpado.

O caso Russiagate coloca a confiança institucional sob outra perspetiva. A coima de 463 mil euros aplicada à Câmara de Lisboa, noticiada pelo Diário de Notícias, recorda as consequências da transmissão de dados de manifestantes a organismos russos. Quem exerce uma liberdade democrática deve poder confiar no tratamento da informação que entrega à Administração. A proteção desses dados faz parte da própria segurança dos cidadãos.

Entretanto, a violência permanece próxima. O homicídio à facada em Olhão, os assaltos com armas, as suspeitas de violência doméstica e os casos de abuso sexual de menores lembram que a insegurança também se instala em casa, nas relações de confiança e nos percursos quotidianos. Estas ocorrências, isoladamente, não permitem concluir que a criminalidade esteja a aumentar. Exigem, porém, investigação competente, proteção das vítimas e acompanhamento que prossiga depois de desaparecer a atenção mediática.

No plano internacional, os ataques na Ucrânia e a escalada no Iémen mantêm em evidência a exposição das populações civis e das rotas marítimas. Os alertas sobre ameaças híbridas russas acrescentam uma dificuldade: reconhecer e responder a ações hostis que podem ocorrer sem uma declaração de guerra. Para Portugal, acompanhar estes riscos exige articulação entre defesa, informações, justiça e forças de segurança.

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J.M.Ferreira

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