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Press Center 16-09-2026

16-09-2026

O Press Center de 16 de setembro revela um quadro de segurança cada vez mais complexo. A afirmação mais relevante do dia pertence ao ministro da Administração Interna, Luís Neves, antigo diretor nacional da Polícia Judiciária: o tráfico de droga constitui a principal ameaça à segurança interna de Portugal. É um diagnóstico grave, mas coerente com a evolução observada nos últimos anos.

As organizações criminosas aproveitam a extensa costa portuguesa, a proximidade das rotas atlânticas e a integração do país no espaço europeu. As chamadas “narcolanchas”, apoiadas por estruturas logísticas capazes de fornecer combustível, comunicações e locais de armazenamento, demonstram que já não estamos perante operações improvisadas. Estamos perante redes transnacionais com dinheiro, tecnologia, mobilidade e capacidade para corromper, intimidar e substituir rapidamente os elementos detidos.

A defesa de sanções mais duras, feita por um antigo comandante da Polícia Marítima, merece ponderação. Contudo, o endurecimento das penas, por si só, não resolve o problema. A resposta deve atingir a estrutura financeira das organizações, apreender património, identificar os beneficiários dos lucros e reforçar a vigilância marítima. Prender os executantes sem desmantelar as redes que os recrutam e financiam é cortar um ramo deixando intacta a raiz.

Também por isso, o aumento da criminalidade não deve ser explicado com excessiva ligeireza. Luís Neves atribuiu parte dessa subida a uma maior proatividade das Forças de Segurança. A explicação é plausível: uma fiscalização mais intensa e uma atuação policial mais eficaz podem revelar crimes que anteriormente permaneciam ocultos. Mas a proatividade policial não transforma automaticamente todos os aumentos estatísticos numa boa notícia.

É necessário distinguir entre a criminalidade detetada por iniciativa das autoridades e aquela que resulta de denúncias ou de ocorrências efetivamente participadas. Sem essa separação, corre-se o risco de usar a atividade policial como explicação genérica para números que podem traduzir um agravamento real. Os cidadãos têm direito a informação clara, comparável e desprovida de conveniências políticas.

Os episódios registados neste dia justificam prudência. Três homens foram detidos depois de uma turista sueca ter sido baleada na Baixa de Lisboa; um casal foi agredido e esfaqueado por vários indivíduos durante uma largada de touros; um condutor TVDE foi atacado após um acidente; e um suspeito de violência doméstica e do sequestro das filhas menores ficou em prisão preventiva.

Nenhum destes casos permite, isoladamente, concluir que Portugal se tornou um país inseguro. Mas a sua acumulação não deve ser desvalorizada. A confiança pública deteriora-se quando a violência ocorre em espaços movimentados, atinge pessoas escolhidas ao acaso ou transmite a sensação de que o agressor atua sem recear consequências.

Há, apesar disso, sinais positivos. A GNR reforçou o programa Escola Segura junto de mais de 4.400 estabelecimentos de ensino. Foi igualmente anunciado um investimento de 22,5 milhões de euros em edifícios da GNR e da PSP no distrito de Vila Real, enquanto a ASAE deverá receber 55 novos inspetores.

São medidas necessárias, mas os edifícios não patrulham ruas, não investigam crimes e não substituem efetivos. O investimento em infraestruturas tem de ser acompanhado por recrutamento, formação, estabilidade das carreiras e distribuição adequada dos recursos. Caso contrário, corre-se o risco de modernizar instalações sem resolver as fragilidades operacionais.

A pressão externa é igualmente preocupante. A crise migratória em Ceuta levou Bruxelas a propor um novo mecanismo europeu de emergência, ao mesmo tempo que as autoridades espanholas desmantelaram uma rede criminosa dedicada à exploração de migrantes. Os movimentos migratórios são frequentemente aproveitados por redes de tráfico de seres humanos e podem ser instrumentalizados por Estados interessados em pressionar as fronteiras europeias.

A resposta não pode assentar nem na ingenuidade nem na desumanização. A Europa tem de proteger as fronteiras, combater as redes criminosas e preservar a dignidade das pessoas utilizadas como mercadoria ou instrumento político.

Mais a leste, um drone de fabrico russo foi abatido pela NATO na Lituânia, enquanto Moscovo aumentava a tensão junto às fronteiras da Aliança. Os Estados Unidos acusaram ainda agentes russos de prepararem ataques e assassínios contra aliados da Ucrânia. A guerra ultrapassa, assim, o campo de batalha tradicional e aproxima-se perigosamente do território dos países aliados.

Portugal pode estar geograficamente afastado da frente, mas não está protegido contra ciberataques, espionagem, desinformação ou sabotagem de infraestruturas críticas. A advertência de Sanna Marin, de que a Rússia não irá parar na Ucrânia e de que nem Portugal está inteiramente a salvo, deve ser entendida neste contexto.

O espaço digital constitui outra frente. Uma nova burla através do WhatsApp ameaça contas e poupanças, a Revolut foi vítima de uma usurpação de identidade que conduziu à partilha de dados de clientes com atacantes e Espanha registou um ataque realizado através de um agente de inteligência artificial. A tecnologia começa a permitir que os criminosos automatizem ataques, personalizem fraudes e ampliem a capacidade de engano.

Por fim, os incêndios em Proença-a-Nova, Mirandela e Évora foram dominados, mas a subida das temperaturas mantém elevado o risco de novas ocorrências. A detenção de um suspeito de atear um fogo com um isqueiro numa aldeia de Vinhais recorda que, além das condições meteorológicas, continua a existir uma dimensão humana que não pode ser ignorada.

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J.M.Ferreira 

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